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03/07/2017

Quando alguém é ninguém

Crítica: The Unnamed

2016


Poster de "The Unnamed"

Os desafios associados a emigrações e imigrações em todo o mundo são diversos, no entanto as realidades mudam de país para país, consoante as suas leis, os seus processos burocráticos, a sua cultura, etc.

Estes e outros desafios estão presentes em "The Unnamed", um filme do Bangladesh que retrata uma realidade presente neste país e noutros seus vizinhos, onde muitas pessoas emigram em busca de uma vida melhor, no entanto este processo é tratado de forma muito 'mafiosa', existindo muitos esquemas de falsificação de identidades, entre outros crimes, fazendo com que a sua 'normalidade' se transforme num problema ainda mais grave.

Esta realidade é posta no argumento de forma curiosa, onde a busca da identidade de uma pessoa que morreu fora do país traz diversos problemas, quando o corpo é transportado para o seu local de origem, e a angústia dos familiares e conhecidos envolvidos nesta trama aumenta com o confronto com aquilo que é desconhecido.

Imagem do filme "The Unnamed"

Este filme 'sem nome' tenta ser um filme completo, tendo toques de comédia e drama, twists e diversos tipos de sequências narrativas, mas falha em parte na sua concepção a nível técnico, assim como a nível do elenco, que não é tão forte como o que seria pretendido, contudo é eficaz.

"The Unnamed" é um filme culturalmente diferente e que evoca uma realidade contrastante daquela a que possamos estar mais habituados. Não sendo um grande filme, é um filme eficaz na mensagem que quer transmitir, e que apesar de se focar numa situação específica é bastante universal.

Mau | Meh | Bom

02/07/2017

Muita bicharada à mistura

Crítica: A Vida Secreta dos Nossos Bichos

2016


Poster de "A Vida Secreta dos Nossos Bichos"

O que é que os animais de estimação fazem enquanto os donos vão trabalhar? Este é o mote para o filme "A Vida Secreta dos Nossos Bichos", uma animação divertida que pega em animais domésticos (e não só), para uma aventura citadina, mas que perde o seu foco quando tenta tornar-se num filme com uma dinâmica social mais séria e pesada, ficando uma mistura estranha no ar.

Aqui joga-se com os conceitos de animal de estimação e animal selvagem, gato vs cão, coelhos fofinhos, etc, e retira algum proveito cómico dos mesmos, mas não o suficiente para ser um filme mais memorável.

Imagem de "A Vida Secreta dos Nossos Bichos"

O que falha nesta "Vida Secreta" é a direcção que toma por volta de metade do filme, onde o tema da protecção dos animais entra na narrativa, não se enquadrando aqui na mensagem que quer transmitir.
Ganharia mais se se tratasse como um filme mais leve e cómico, e mantivesse essa linha ao longo de todo o filme.

Deixo aqui o destaque mais positivo deste filme, que recai na personagem de um coelho branco e 'terrivelmente fofo' (acima na imagem), onde a voz de Kevin Hart dá uma dinâmica cómica a este coelho, e é realmente a personagem mais forte e interessante ao longo do filme.

Mau | Meh | Bom

29/05/2017

Um filme nada colossal

Crítica: Colossal

2016


Poster de "Colossal"

"Colossal" é aquele tipo de filme que cai na asneira de tentar ser maior do que aquilo que realmente é. E neste caso trata-se de uma comédia romântica com uma ambição gigantesca para se tornar num filme de culto, mas falha redondamente nesse objectivo, e fica-se pela sua premissa, que tinha potencial para ser realmente mais 'colossal'.

Aqui o mundo real mistura-se com o mundo da fantasia de uma forma muito directa, e sem grandes explicações, o que torna a envolvência da história em algo interessante, contudo, existe uma relação pessoal entre as duas personagens principais, que se vai alterando ao longo da duração do filme, mas que em vez de tornar a história em algo mais interessante, apenas faz o contrário, conseguindo tornar-se num acessório dispensável, que só está ali a atrapalhar.

Imagem do filme "Colossal"

Quando o espectador se apercebe do rumo que este "Colossal" toma, fica-se com a mesma expressão que as suas personagens têm na imagem acima, como que a pensar "A sério?". Nem a oscarizada Anne Hathaway consegue aqui render uma boa prestação, que pudesse melhorar a qualidade do filme.

Ficamos com a sensação de pena, pois sente-se que o potencial está aqui presente, mas é muito pouco aproveitado e posto de lado. Pode ser que sirva de inspiração para um outro filme mais coeso.

Mau | Meh | Bom

10/04/2017

Fragmentação em Fragmentado

Crítica: Fragmentado

2016


Poster de "Fragmentado"

O realizador e escritor M. Night Shyamalan é do tipo de cineastas cujos filmes tanto podem acertar no alvo, como falharem muito ao lado. Depois de uma carreira que inclui filmes como O Sexto Sentido, O Protegido, Sinais, A Vila, A Senhora da Água ou A Visita, este realizador regressa ao ecrã em 2016 com Fragmentado, um filme curioso, cuja personagem principal tem de lidar com uma doença onde a sua personalidade se altera a 100%, tendo criado ao longo dos tempos diversas personalidades dentro de si.

Neste caso, Fragmentado apresenta-se como um filme chamativo pela sua história base, mas que em boa verdade não consegue apresentar eficazmente essa narrativa ao público, não sendo no entanto uma das piores obras de Shyamalan, mas também não é das suas melhores. Digamos que é medíocre e que poderia ser bastante superior.

M. Night Shyamalan e James McAvoy nas filmagens de "Fragmentado"

O ponto mais forte deste filme recai sem dúvida no actor principal, James McAvoy, que tem aqui uma personagem que se desdobra em muitas, e esse aspecto deverá ter sido muito desafiante para o actor, e o mesmo conseguiu superar esse desafio de forma interessante.

O que falha mais em Fragmentado é, desculpem pela redundância, a sua fragmentação, seja nas narrativas secundárias que deixa em aberto e por explicar, seja também pela falta de alguma explicação na narrativa principal, e no passado da personagem central.

Sempre com algum toque fantasioso e supernatural, que o realizador mantém no seu estilo, falta alguma consistência no seu todo para deixar o público verdadeiramente espantado e surpreso com os twists que são exibidos.

Mau | Meh | Bom

02/04/2017

Um filme que toca na ferida

Crítica: São Jorge

2016


Poster de São Jorge

"São Jorge" é o tipo de filme necessário para que a memória e história de uma sociedade não sejam esquecidas. Aquele tipo de filmes que incomoda, que toca na ferida, e que mostra um dos lados mais negros da sociedade portuguesa, em específico, e assim o faz de forma estruturada e sem tomar nenhum partido, resumindo-se apenas aos factos e à transformação dos mesmos de forma ficcional, mas respeitando-os à mesma, nunca caindo no exagero dramático ou em histórias paralelas.

Com a realização ao leme de Marco Martins, e a personagem principal ao cargo de Nuno Lopes, este "São Jorge" vem provar que esta dupla resulta, e não só resulta, como resulta muito bem. A realização é consistente em levar aos poucos a história ao espectador, e ir desvendando a mesma, e a actuação de Nuno Lopes de forma subtil mas com bastante carga dramática nos seus gestos e olhares, levam esta história a um nível superior.

Imagem / Still de São Jorge

Destaco ainda a qualidade de todo o elenco secundário, mais ou menos conhecido, que prestam boas actuações em todas as suas cenas, assim como a forma 'caco-fónica' com que a banda-sonora se encontra construída, onde a mistura de diversos elementos sonoros leva a que o público se identifique com certos locais ou situações, sem mesmo as ter de ver no ecrã, ou também interessar-se pelo que está a ouvir.

Apenas senti que a parte da fotografia do filme fosse por vezes exagerada no seu estilo, mas são escolhas visuais. "São Jorge" não é apenas um filme português muito bom, é sim um filme muito bom.

Mau | Meh | Bom

10/03/2017

Uma pequena vida, mas uma grande voz

Crítica: Elis

2016


Poster de "Elis"

"Elis" é um filme biográfico sobre uma das maiores cantoras brasileiras de sempre, Elis Regina, e consegue ser uma boa homenagem à falecida cantora, e a representar em filme um resumo da sua vida, sendo também um bom filme de entretenimento no geral. Foi também o filme escolhido para encerrar a 8ª Edição do FESTin, em Lisboa, tendo sido uma boa escolha.

Com uma vida recheada de percalços, Elis conseguiu mesmo assim afirmar-se numa indústria machista, muito através da sua personalidade directa e sem rodeios, conseguindo assim que a sua voz chegasse mais longe.

Andréia Horta numa cena de "Elis"

Aqui, o grande foco ao longo de todo o filme recai sempre na interpretação de Elis, e tenho de declarar a minha admiração pela actriz protagonista, Andréia Horta, que consegue personificar o físico e o espírito de Elis Regina de forma soberba, que mesmo quem desconheça a cantora consegue sentir o peso desta representação, e aplaudir o trabalho da actriz.

Por outro lado, o que se apresenta de forma mais negativa em "Elis" é a sua montagem e transições de tempo, que por vezes são feitas de forma muito apressada, fazendo com que o público se possa perder e não compreender tão bem certos saltos na narrativa. De resto estamos perante um filme competente, e que serve como uma referência para filmes biográficos.

Mau | Meh | Bom

08/03/2017

Um casamento histórico

Crítica: Um Reino Unido

2016


Poster de "Um Reino Unido"

Se faz parte do público mais interessado em filmes históricos, com um toque de romance, então este "Reino Unido" é para si.

Com base em factos reais, "Um Reino Unido" relata a história de um romance que causa muita resistência devido a diversos factores políticos e sociais, sendo que o maior ponto contra tem por base o racismo no final dos anos 40.

O paralelismo que envolve este filme, entre uma sociedade europeia, Inglaterra, e uma sociedade e estilo de vida africano, Botsuana, é interessante de constatar e comparar, vendo que em tantos aspectos são sociedades tão parecidas, e tão distantes, em simultâneo.

David Oyelowo numa cena de "Um Reino Unido"

Os conflitos emocionais e familiares que assistimos ao longo do filme encontram-se bem interpretados por todo o elenco, no entanto sente-se falta de uma maior profundidade nas personagens criadas, sendo estas muito planas e por vezes pouco convincentes, faltando-lhes garra.

A composição técnica é competente, mas tem uma fotografia medíocre, que neste tipo de filmes pediria que fosse mais criativa e eficiente, para transmitir uma maior envolvência entre o público e o ambiente que está na tela.

Deixo aqui uma nota muito positiva em relação ao actor David Oyelowo, que se destaca numa cena de um discurso sério e emocionante, que fez com que a sala de cinema ficasse como que suspensa ao longo de toda essa cena, e que agarrou bem os espectadores à personagem e à narrativa.

Mau | Meh | Bom

04/03/2017

Homem como Animal e vice-versa

Crítica: Animal Político

2016


Poster de Animal Político

"Animal Político" é o primeiro filme em formato de longa-metragem do escritor e realizador brasileiro Tião, e não é um filme comum, nem normal, mas é sem dúvida interessante. Presente na 8ª Edição do FESTin, em Lisboa, conta com uma abordagem muito própria em relação ao pensamento humano e à sociedade civil em que vivemos hoje em dia. Temos aqui um filme que quer romper com as normas sociais convencionais, e levar o espectador numa viagem mental.

Baseado numa ideia para uma curta-metragem, este "Animal Político" sofre com uma extensão narrativa que por vezes é difícil colar e agregar no contexto de uma longa-metragem. Esta será talvez a maior falha desta obra.

Imagem do filme Animal Político

Apesar de a narrativa por vezes levar o público a tentar assimilar tudo o que se está a passar à sua volta, é com o estilo visual marcante que este filme prende, onde tanto podemos ver uma vaca a ir às compras ou a comer num restaurante, como um homem sem cabeça a andar no deserto, ou um iglo feito de livros.

As ideias presentes neste filme são realmente interessantes, mas é a sua estrutura que se perde ao longo do filme, e caso isso fosse mais desenvolvido ou reformulado, estaríamos perante um filme muito bom sem dúvida. Veremos o que o realizador Tião fará no futuro.

Mau | Meh | Bom

20/02/2017

Uma saga que já não está para guerras...

Crítica: Underworld - Guerras de Sangue

2016


Poster de Underworld: Guerras de Sangue

Parece-me que a saga vampírica Underworld já deu os seus últimos cartuchos, e estas Guerras de Sangue vieram comprovar isso mesmo: este franchise já não traz nada de novo, e caso continue só irá diminuir a saga no seu todo.

Com um argumento fraco e descoordenado, esta sequela (que já é o quinto filme da saga Underworld), não consegue surpreender ou trazer algo de novo e eficaz, reciclando a mesma história outra vez, e nem os efeitos especiais ou as cenas de maior tensão dramática, conseguem salvar este filme, que apenas serve para ganhar receitas de bilheteiras e captar o público que realmente é fã desta saga, mas mesmo esse público há-de sentir-se enganado com este filme.

Kate Beckinsale numa imagem de Underworld: Guerras de Sangue

Kate Beckinsale continua a ser a protagonista de Underworld, mas mesmo o seu 'à vontade' com este filme, não é capaz de transparecer de forma positiva para a sua actuação, parecendo sempre muito 'seca' e sem personalidade, para aquilo que a sua personagem pede, mesmo que o guião não ajude muito a criar alguma dinâmica à mesma.

Os filmes com o nome Underworld já deveriam ter terminado no segundo ou terceiro filme, e estas Guerras de Sangue nem dá jus ao seu nome. Um filme dispensável.

Mau | Meh | Bom

17/02/2017

Uma grande muralha, um pequeno filme

Crítica: A Grande Muralha (The Great Wall)

2016


Poster de A Grande Muralha

Matt Damon protagoniza o filme "A Grande Muralha", que a nível de imponência é realmente grande, mas a nível cinematográfico não é grande coisa. Com grandes pretensões a um filme de aventuras épicas, com um toque de fantasioso e misterioso, esta 'muralha' deixa muito a desejar, utilizando um argumento fraco, que recicla os mais diversos clichés deste género de filmes, não acrescentando nada ao cinema.

A mística que envolve todo o conceito da grande muralha da China é ainda o que consegue segurar o público, contudo este lado é mal aproveitado, e isso é pena.

Matt Damon numa imagem de A Grande Muralha

O aspecto menos medíocre deste filme passa pela sua componente técnica, em especial os movimentos de câmera e os efeitos especiais, e a nível do elenco é algo medíocre também, onde as performances de actores de renome como o protagonista Matt Damon ou o actor Willem Dafoe, parecem ter sido tiradas a custo, como se estivessem ali apenas para lucrar com um filme, onde as perspectivas de bilheteiras são altas.

Não vale a pena verem este filme nos cinemas, nem gastar o dinheiro extra para o ver em 3D ou IMAX, pois aqui trata-se de um mero filme de domingo à tarde.

Mau | Meh | Bom

06/02/2017

Magia e Super-Heróis? Sim, existe.

Crítica: Doutor Estranho (Doctor Strange)

2016


Poster de Doutor Estranho

Os estúdios da conhecida Marvel apresentaram, em 2016, mais um super-herói no grande ecrã, para se juntar ao seu universo e potencialmente criar mais um franchise de sucesso. Mas desta vez a realidade é diferente. Em Doutor Estranho os poderes que o protagonista apresenta vêm, literalmente, de outra realidade, com base no misticismo e na magia, o que demonstra em si uma aposta diferente da Marvel, e um risco também. Na minha opinião esse risco compensou, e tornou-se uma lufada de ar fresco a nível de efeitos especiais e de potencialidades que este tipo de filmes podem ter.

Benedict Cumberbatch interpreta um cirurgião que vai tentar de tudo para corrigir os defeitos físicos derivados de um acidente que teve, e acaba por ficar imerso num mundo desconhecido, e de mostrar a sua potencialidade nas artes místicas.

Tilda Swinton e Benedict Cumberbatch numa imagem de Doutor Estranho

Quem vai ver este filme tem de ir com uma mente aberta e aceitar à partida esta grande novidade para os típicos filmes de super-heróis, para que depois da magia ser aceite, possa entrar nesta aventura de forma descontraída.

Apesar de o argumento não ser de todo uma novidade, seguindo as regras base para este género de filmes, consegue captar a atenção do público, e neste caso os efeitos especiais não se sobrepõem à narrativa, muito pelo contrário, dão um maior destaque à mesma e são, sem dúvida, o ponto mais forte do filme, sendo que inclusivamente encontram-se nomeados aos Óscares na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Uma nomeação mais que merecida.

Mau | Meh | Bom

05/02/2017

O luar toca a todos

Crítica: Moonlight

2016


Poster de Moonlight

Com diversos prémios mundiais de cinema já arrecadados, e um total de 8 Nomeações aos Óscares, Moonlight apresenta-se como um dos filmes favoritos da crítica e do público do último ano, sendo que as expectativas são elevadas, e não desilude.

Dividido em três fases cruciais da vida de qualquer pessoa (infância, adolescência e idade adulta), Moonlight apresenta-nos de forma descomplicada os principais dilemas e problemas que um jovem terá de enfrentar em cada uma dessas fases, através daquilo que vai aprendendo e assimilando, sendo que aqui o factor diferenciador reside no facto de não acompanharmos apenas a evolução do personagem principal, mas também a evolução dos seus problemas, do mundo que o rodeia, e ao vermos a forma como ele muda e se adapta a esses mesmos problemas ao longo do tempo, vemos outras camadas narrativas que fazem de Moonlight mais do que apenas mais um filme.

Imagem de Moonlight

Tecnicamente terei de destacar sem dúvida a excelente fotografia que o filme apresenta em diversos momentos cruciais, e que nos envolvem bastante, assim como a banda-sonora que é de uma delicadeza estonteante e tão forte que por vezes nos deixam de rastos, no bom sentido claro.

O elenco está todo de parabéns, assim como a realização de Barry Jenkins, que consegue consolidar aqui uma obra de excelência e que poderá vir a se tornar num filme de culto para as gerações que virão. O tempo o dirá.

Mau | Meh | Bom

30/01/2017

Um bom musical, não extraordinário

Crítica: La La Land - Melodia de Amor

2016


Poster de La La Land - Melodia de Amor

Um dos filmes mais aclamados nesta última temporada de prémios cinematográficos, que inclui já 7 Globos de Ouro ganhos e 14 Nomeações aos Óscares, chama-se La La Land e é um musical com muitas referências e estéticas de grandes clássicos do cinema, e do género musical em específico, sendo que temos aqui um bom filme no geral, no entanto não acho que seja a obra-prima que tantos fazem transparecer.

Com uma realização muito eficaz a nível musical, e relativo à forma como estão montadas e sincronizadas as sequências musicais, o realizador Damien Chazelle demonstra assim (mais uma vez) o seu talento natural para peças musicais e na forma como o som e a música entram e saem do filme, integrando-se sempre na estrutura narrativa, não sendo nada estranho ou ineficaz.

Ryan Gosling e Emma Stone numa imagem de La La Land - Melodia de Amor

Os grandes pontos fortes de La La Land são sem dúvida a banda-sonora e a sua montagem/realização, sendo que a nível do elenco destaco a performance de Emma Stone, que consegue prestar um nível sublime como actriz, demonstrando que está no mundo do cinema para ficar, mostrando um grande leque de sentimentos e emoções ao longo deste filme. Já o outro protagonista, Ryan Gosling, não se enquadra tão bem num filme musical, e não me tocou com a sua actuação muito directa e seca, sem grandes ondulações dramáticas.

La La Land é um filme que resulta, uma obra bonita, romântica e "lamechas", como o amor deve ser, mas não é extraordinário.

Mau | Meh | Bom

22/01/2017

Um mar recheado de emoções e vivências

Crítica: Manchester by the Sea

2016


Poster de Manchester by the Sea

Manchester by the Sea é um grande, grande filme. Excelente em todos os sentidos, e não apenas para esta época do cinema e do mundo, mas para sempre. É um filme intemporal, porque mostra um drama que é transversal a todos os seres humanos, no que toca à forma como reagimos a uma perda humana, à morte de um familiar próximo e a forma como reagimos reflecte em si todo o nosso passado, aprendizagens, ganhos e perdas.

Ao longo de todo este filme o espectador consegue rir-se, aborrecer-se, chocar-se e chorar. É um misto de sentimentos e pensamentos, que tocam em todos os pontos do nosso pensamento enquanto seres humanos e da nossa condição humana, sejamos velhos ou novos, homens ou mulheres, e tudo isto graças a uma realização magistral e uma montagem e argumento que nos prendem sem escapatória.

Imagem/Still de Manchester by the Sea

As estrondosas interpretações de todo o elenco, em especial de Casey Affleck, que carrega em si todo a história principal do filme de forma sublime, e Michelle Williams, reforçam ainda mais a carga dramática e especial que este filme possui, onde em duas sequências do filme é impossível o espectador não ficar vidrado na acção e na mensagem tão humana que o argumento e a realização de Kenneth Lonergan trazem ao de cima, assim como através de uma montagem e edição simplistas, mas que funcionam de forma arrebatadora.

Manchester by the Sea é sem dúvida um filme que vai ser visto e revisto ao longo dos anos, sem perder o seu valor. Um filme imperdível, e uma das melhores obras que o cinema trouxe nos últimos anos.

Mau | Meh | Bom

16/01/2017

Assaltar por uma boa causa, talvez...

Crítica: Hell or High Water - Custe o Que Custar!

2016


Poster de Hell or High Water - Custe o Que Custar!

Quando dois irmãos muito diferentes, sem nada a perder, se juntam para criar um esquema de roubo de agências bancárias nas terras mais abandonadas do Texas, estamos perante uma história que pode dar o que falar, e neste caso dá mesmo.

Com exibição em Portugal na última edição do Lisbon & Estoril Film Festival, o realizador David Mackenzie traz aos grandes ecrãs um drama policial muito americano, que se destaca pela positiva através do seu enquadramento social, que é bastante relevante nos dias de hoje, e que marca uma fase contemporânea sobre o declínio social e económico que o interior dos EUA atravessa.

Não recorrendo a muitos floreados dramáticos (que neste caso poderiam ser feitos, e tinham corrido mal), encontramos assim um filme que poderia, e deveria, ter um maior destaque no panorama cinematográfico actual, pois tem muito mais em si, do que se poderá pensar à primeira vista.

Ben Foster e Chris Pine numa imagem de Hell or High Water - Custe o Que Custar!

A narrativa é bastante fluída, e não se foca apenas nas sequências de maior tensão dramática, o que dá espaço para que os detalhes que são apresentados ao longo do filme, seja a nível visual ou da história em si, tenham a sua marca, a sua importância e a sua relevância, e não se perdem ou atropelam a narrativa principal.

Todo o elenco encontra-se bem nos seus papéis, exprimindo com qualidade as virtudes e defeitos das suas personagens, com uma realização decente também, permitindo assim que este Custe o Que Custar! tenha em si algo a mais do que apenas um filme de domingo à tarde.

Mau | Meh | Bom

14/01/2017

Os jovens 'outsiders' americanos

Crítica: American Honey

2016


Poster de American Honey

Tendo estreado em Portugal no ano passado, e exibido no Lisbon & Estoril Film Festival, American Honey é daqueles filmes indie com uma mística do interior norte-americano que dá vontade de ver, e traz uma curiosidade ao de cima de filmes que realmente demonstram (mesmo que de forma fictícia), o verdadeiro "sonho americano", através de uma geração de jovens americanos que são outsiders dentro do seu próprio país.

Com uma narrativa simples e eficaz, o argumento de American Honey segue a história de uma rapariga texana que sai do seu péssimo ambiente de vida, em busca de algo que a faça feliz, algo de diferente, onde ela se possa encaixar e sentir-se bem. E ela encontra o que procura, mas como em tudo na vida, aquilo que ela descobre não é sempre assim tão bom, e existem outros obstáculos, outras dificuldades e guerras interiores, e paixões e ódios, e tudo aquilo que possa 'atormentar' a cabeça e o coração de uma jovem de 18 anos, que teve uma infância complicada, e que é ingénua consigo mesma, no entanto muito verdadeira.

Sasha Lane numa imagem de American Honey

O filme tenta levar o espectador numa viagem com muitas paragens e sequências pelo meio, contudo o seu conteúdo poderia ser mais reduzido (afinal o filme tem uma duração de quase 3 horas), sendo que poderia ter um maior impacto no público se fosse mais curto e conciso na sua mensagem, tornando-se também mais relevante.

Destaco pela positiva os grandes desempenhos dos dois actores principais, Sasha Lane, a protagonista, e Shia LaBeouf, onde ambos conseguem exprimir de forma muito eficaz todos os seus sentimentos mais acertados e contraditórios, muitas vezes apenas com um olhar.

No final ficamos com um sentimento misto em relação a American Honey: por um lado satisfeitos por uma história que é eficaz e interessante, mas por outro lado meio perdidos com a duração do filme e com as pequenas histórias que se sentem estarem a mais no filme.

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10/01/2017

Cegonhas é um filme de animação mais para pais do que para filhos

Crítica: Cegonhas (Storks)

2016


Poster do filme Cegonhas

Do estúdio que trouxe ao cinema "O Filme Lego", por exemplo, chega através de 'Cegonhas' o seu último filme de animação, estreado em 2016, com uma pitada de comédia mais destinada a adultos do que propriamente a crianças ou jovens.

Confesso que estava renitente em ver esta animação, pois todo o marketing que rodeava este filme parecia demasiado infantil, contudo esse não é o caso, e estas Cegonhas revelaram-se algo maior do que a sua premissa previa. Não se pode no entanto comparar a um filme de animação para adultos, do tipo Salsicha Party, mas tem ainda uma boa dose de comédia virada para os mais velhos, que vão ficar admirados com essa vertente, que se encaixa bem em toda a temática e narrativa do filme.

Imagem/still do filme Cegonhas

O argumento de Cegonhas não é algo que marca o filme em si, tenta ser diferente mas não cai no exagero, e também não é pretensioso, daí ser algo positivo, fazendo com que o espectador continue ligado durante toda a duração do filme. Para além das partes mais clichés que este tipo de filmes americanos tem normalmente, em Cegonhas vemos algumas partes de comédia mais inteligente que fazem a diferença pela positiva, deixando uma boa impressão no final do filme.

Cegonhas é um filme de animação mais para os pais do que para os filhos, mas os mais pequenos também irão gostar. Um filme americano familiar, em todo o sentido das palavras.

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04/01/2017

Confiar ou Desconfiar, eis a questão.

Crítica: Aliados (Allied)

2016


Poster do filme Aliados

O realizador Robert Zemeckis traz aos cinemas uma história com base no amor e na (des)confiança. Aliados mostra-nos o lado complicado das relações em tempos de guerra, entre pessoas que estão por dentro do sistema e dos esquemas que os dois lados do campo de batalha possuem.

Mas, para além disso, Aliados não nos traz nada de especial ou de novo/diferente de outras inúmeras histórias que já chegaram aos cinemas sobre este tipo de relações tão únicas no tempo. Brad Pitt e Marion Cotillard emprestam o seu talento a um filme médio, que também não consegue aproveitar todo o potencial que estes actores poderiam ter dado ao filme, sendo que havia espaço na história e na dinâmica do filme para tal ter acontecido.

Marion Cotillard e Brad Pitt numa imagem de Aliados

Aliados consegue manter um bom ritmo na dinâmica do filme, sendo que este ritmo adensa-se mais na sua segunda metade, no entanto o final é em parte esperado e não totalmente aproveitado a nível de estrutura e de clímax.

Entre os diversos filmes cuja história se passa durante a 2ª Guerra Mundial, este Aliados não consegue deixar a sua marca, havendo melhores opções e histórias mais interessantes, não sendo, no entanto, um completo fracasso a esse nível, mas pretende ser mais do que aquilo que realmente é: mais um romance do que propriamente um drama com contornos épicos.

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03/01/2017

Bons (e maus...) Rapazes (e homens também...)

Crítica: Bons Rapazes (The Nice Guys)

2016


Poster do filme Bons Rapazes

Certamente um dos melhores filmes que Hollywood produziu em 2016. Não se deixem enganar pelo estilo mais comercial que possa passar através dos materiais promocionais que rodeiam estes Bons Rapazes, pois de 'certinho' este filme não tem nada, mas de 'bom' tem tudo.

Russell Crowe e Ryan Gosling personificam duas pessoas bastante diferentes, mas que 'meio' se complementam na forma como levam a vida: conforme a vida os levar. Esta ligação cria um fio condutor a esta comédia recheada de acção, que a permite variar diversas vezes no seu tom, sem nunca desiludir o espectador, com um dinamismo surpreendente desde os seus primeiros instantes, quando um carro entra por uma casa adentro. Só para dar um exemplo.

Still/Imagem do filme Bons Rapazes

Bons Rapazes representa uma comédia tão nua e crua no que respeita às suas piadas e à sua história, que é algo que (infelizmente) já não estávamos habituados a ver no grande ecrã, e que sem dúvida alguma fazem muita falta. Fazem falta não só pelo divertimento e boa disposição que proporcionam a quem as vê, como também "obrigam" a que Hollywood passe a criar comédias mais inteligentes e exigentes consigo próprias, e que não sejam apenas um produto comercial.

Uma comédia a não perder, e um filme a não perder.

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29/12/2016

A Guerra Fria chega a Star Wars

Crítica: Rogue One - Uma História de Star Wars
2016

Poster de Rogue One: Uma História de Star Wars

Está oficialmente aberta a temporada dos spin-offs! Hollywood passou já por diversas fases, houve o tempo dourado das sequelas atrás de sequelas, depois vieram as prequelas e agora cada vez mais vemos spin-offs nos grandes ecrãs, ou seja, filmes com base em mundos cinematográficos conhecidos do grande público, mas com histórias paralelas às já estabelecidas, por forma a trazer uma garantia de "selo de qualidade" ao público, e garantir também boas doses de receitas nas bilheteiras. Vimos o caso este ano por exemplo de Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los, do mundo mágico do tão conhecido feiticeiro Harry Potter, e agora a Disney decidiu criar mais filmes da saga de Guerra das Estrelas.

Mas como tudo, há filmes e filmes, e no meu ponto de vista cada filme tem de ser sempre visto, em parte, como um objecto único, sem outras dependências, tem de ser 'elegível' do início ao fim, e entender-se a história que se pretende transmitir, mesmo não se conhecendo o universo a que possa pertencer. Será contudo difícil analisar este Rogue One sem se pensar minimamente em Star Wars, mas contudo este é um filme que funciona não só dentro do seu universo, como também como se de um filme independente de guerra inter-galáctica apenas se tratasse.

Imagem de Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One apresenta-nos uma história recheada de acção e boas sequências cinematográficas do início ao fim, com uma envolvência focada sobretudo na temática da confiança. Em quem poderemos confiar num mundo tão dividido, onde familiares nossos podem estar ou não a trabalhar para o 'lado mau' como espiões, ou talvez não? Parece que um misto das narrativas sobre a Guerra Fria chegou ao mundo de Star Wars, com muitas conspirações, desconfianças e tiros de laser à mistura.

Com alguns toques às personagens e linhas narrativas mais conhecidas de Guerra das Estrelas (como seria de esperar), Rogue One não se perde por aí e não desilude nesse campo, sendo que o final é bastante arriscado para um filme de Hollywood e isso é, por si só, uma lufada de ar fresco. Por muito difícil que seja existir alguém que desconheça por completo o nome Star Wars, caso exista, vai certamente apreciar Rogue One.

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