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08/03/2018

“Redemoinho” vence competição do FESTin


O filme de José Luiz Villamarim sobre dois amigos que se reencontram após um acontecimento trágico na infância foi escolhido pelo Júri como o Melhor Filme do FESTin 2018, enquanto que o cineasta foi escolhido também como o Melhor Realizador.

Já o prémio do Júri da Crítica foi para “Açúcar”, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira, com uma Menção Honrosa para “Mulher do Pai”.

O público escolheu distinguir “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, obra que estreia comercialmente em Portugal no dia 15 de Março.

Os restantes prémios para as longas-metragens de ficção couberam a Grace Passô (Melhor Actriz por “Praça Paris”, co-produção da Fado Filmes, também com estreia prevista para o circuito comercial), e  Marat Descartes (Melhor Actor por “Mulher do Pai”).

Na categoria Melhor Documentário a distinção do Júri  coube a “Saudade”, de Paulo Caldas e a curta-metragem “A Gis”, de Thiago Carvalhaes.

Segue abaixo a lista completa dos premiados da 9ª Edição do FESTin:

Categoria de Longa-metragem:

Melhor Longa-metragem:
“Redemoinho” de José Villamarim

Melhor Realizador: José Villamarim por “Redemoinho”

Melhor Actriz: Grace Passô por “Praça Paris”

Melhor Actor: Marat Descartes por “Mulher do Pai”

Melhor Filme – Júri da Crítica:
“Açúcar” de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira

Menção Honrosa de Longa-metragem - Júri da crítica:
“Mulher do pai” de Cristiane Oliveira

Melhor Filme – Júri Popular:
“Como nossos pais” de Laís Bodanzky

Categoria de Curta-metragem:

Melhor curta-metragem:
“A gis” de Thiago Carvalhaes

Menção Honrosa de curta-metragem:
“África na Europa” de Atcho Express e “Carga” de Luis Campos

Melhor curta-metragem – Júri Popular:
“Hospital da memória” de Pedro Paula de Andrade

Categoria Documentário:

Melhor Documentário:
“Saudade” de Paulo Caldas

Menção Honrosa de Documentário:
“Serviçais das memórias à identidade” de Nilton Medeiros

Melhor Documentário – Júri Popular:
“Serviçais das memórias à identidade” de Nilton Medeiros

Categoria Infanto-Juvenil:

Melhor Filme – Júri Popular Infantil:
“Como surgiram as estrelas” de Renato Barbieri e Adriana Meirelles

05/03/2018

5 perguntas ao actor Jaime Freitas...


Num formato de mini-entrevista, fomos fazer cinco perguntas ao actor português Jaime Freitas, protagonista do filme "Aparição", que vai ser hoje apresentado no festival FESTin, a decorrer presentemente no Cinema São Jorge (Lisboa):

Qual foi a sensação de ter sido Alberto Soares durante as filmagens de "Aparição"?

Durante a preparação, depois de ter lido o livro, e lido uma data de coisas à volta do universo de Vergílio Ferreira, houve uma grande ansiedade nesse período, sobretudo por saber que ia estar em todas as cenas do filme. Uma grande responsabilidade. Mas à medida que a data do primeiro dia de rodagem se aproximava, a ansiedade ia desaparecendo até que quando ouvi o primeiro "Acção!" do primeiro plano, a ansiedade desapareceu por completo. Acho que teve muito que ver por me identificar com o Alberto. Sempre senti na minha vida pessoal uma certa procura de sentido. Até porque não me sinto associado a nenhuma ideologia política, social ou religiosa. Sinto-me sozinho nessa procura.

Como descreve a forma de trabalhar e realizar de Fernando Vendrell?

Deliciosa. Ele foi muito cuidadoso comigo. É uma pessoa com quem dá vontade de estar a trabalhar. Foi como uma dádiva ele ter-me dado esta oportunidade. Ele passava um sentimento de confiança para me fazer sentir seguro. E tem umas gargalhadas contagiantes. Foi fácil de trabalhar com ele.

Entre o trabalho de realizador, escritor e actor, ultimamente tem apostado mais na carreira de actor. Porquê?

Porque descobri, depois de muitas inseguranças e medos, que podia ser bom nisto. E descobri que é o que me dá mais prazer e satisfação.

No futuro gostaria de trabalhar mais em Televisão, Cinema ou Teatro?

Qualquer coisa. Mas gosto muito do jogo com a câmara.

Entre borbulhas grandes na cara de outros actores e cenas em eléctricos, que outras curiosidades mais caricatas nos pode revelar da sua carreira?

Uma vez, quando estava nos Estados Unidos a estudar, fui com uns amigos fazer uma figuração à borla num filme independente que entrava o Vincent D'Onofrio. Fomos pela experiência, conhecer gente... Esperamos numa cave fria de um banco abandonado durante onze horas. Entretanto vão-nos chamando. Juntaram-nos lá em cima na zona onde era o tal banco e olharam para nós para escolher alguém para fazer uma cena com o Vincent. Escolheram-me e estava excitadíssimo por estar a fazer um plano que começava com ele e comigo. O homem que fez o Full Metal Jacket do Stanley Kubrick.

Jaime Freitas em "Aparição"

03/03/2018

5 perguntas rápidas a Fernando Vendrell...


Num formato de mini-entrevista, fomos fazer cinco perguntas ao realizador e produtor português Fernando Vendrell, que irá apresentar o seu mais recente filme "Aparição" no festival FESTin, a decorrer presentemente no Cinema São Jorge (Lisboa):

Qual foi o principal motivo que o levou a adaptar, nos dias de hoje, uma obra de Vergílio Ferreira para o cinema?

"Aparição" era um projeto que a produtora David & Golias desenvolvia desde 2005, trata-se de uma das obras mais relevantes da literatura portuguesa do século XX e um momento seminal na carreira do escritor Vergílio Ferreira. Como realizador procurei explorar as razões que nos anos 50 fizeram Vergílio Ferreira escrever este livro, para melhor tratar esta história decidi partir para Évora e filmar os temas e as atmosferas desse momento criativo. Considero as questões levantadas neste romance sobre a vida, a paixão e a morte como sendo temas verdadeiramente cinematográficos e suscetíveis de emocionar os espectadores de cinema.

Hoje em dia, entre o trabalho em Televisão e Cinema, onde sente que existe uma maior liberdade de produção em Portugal?

O tema “liberdade de produção” é algo irreal em qualquer país do mundo, no entanto acho que devo assumir essa pretensão ideal como autor/realizador e também através do trabalho criativo de produtor em Portugal. O facto de trabalhar um modelo de cinema narrativo artístico faz com que alguns projetos meus se possam enquadrar em programação televisiva, tornando-se produções viáveis enquanto séries de ficção, proporcionando uma maior liberdade temática e conceptual na minha obra de realização. Faço uma distinção objetiva nestes dois trabalhos criativos, mas considero que são complementares e que me obrigam a aperfeiçoar - técnica e artisticamente - o trabalho de realizador, aprofundando também o contacto entre mim e os espectadores.

Mais de 10 anos se passaram desde que realizou a sua última curta-metragem. Pretende voltar a realizar filmes neste formato?

Sim, claro que tenciono realizar outros projetos de curta-metragem. Durante esses 10 anos, muito duros e violentos, concorri sempre a todos os concursos do ICA, julgo que um número “significativo” de pessoas constituídas como jurados, não acharam relevante a minha obra de realizador. Durante esse período de “ausência” segui o conselho de grandes cineastas com quem privei e trabalhei, que jamais esquecerei: “Nunca desistir, persistir sempre!”.

Cerca de 20 anos se passaram entre "Fintar o Destino" (1998) e "Aparição" (2018). Quais os desafios actuais de realizar uma longa-metragem?

As possibilidades técnicas de produção de cinema democratizaram-se com o incremento do digital, há mais produção no “media” cinema e também mais perspectivas de circulação dos filmes.  No entanto, o trabalho numa longa metragem de cinema é muito exigente, necessita de uma profunda reflexão formal, uma abstração que a aproxime do pensamento humano.  Nem sempre as nossas obras estão em “sintonia” com o mercado, quer sejam os festivais de cinema ou a exibição comercial, o espaço para que uma obra cinematográfica seja fruída, parece ser cada vez mais exíguo e reduzido em contraponto com o da vulgarização tecnológica do audiovisual.

Aos 8 anos não conseguiu ir ao cinema ver "O Inimigo Público" de Woody Allen. Já conseguiu concretizar esse desejo? E se já o fez, o que achou do filme?

É uma vergonha, nunca vi esse filme até hoje... No entanto lembro-me visualmente de várias cenas desse filme, imaginadas a partir do que me contaram as minhas irmãs e os amigos que assistiram a essa sessão no dia do meu aniversário. Parece-me ainda interessante!

Bastidores das filmagens de "Aparição"

01/02/2018

9ª Edição do FESTin começa já no final de Fevereiro


O festival FESTin 2018 arranca já no final de Fevereiro com muitos projectos portugueses e uma conexão com a Berlinale.

Decorre entre 27 de Fevereiro e 6 de Março a 9ª Edição do Festival Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin). Como habitualmente o Cinema São Jorge, de Lisboa, será o espaço de todas as actividades do festival, que este ano apresenta entre outras novidades, muitos projectos portugueses, várias obras vindas da Berlinale e uma parceria com o grupo Guiões.

A produção cultural lusófona é o eixo central da programação, que apresentará em Competição 9 longas-metragens de ficção, 9 documentários e 16 curtas. Secções dedicadas ao cinema brasileiro e uma novíssima que estende a programação aos países de línguas derivadas do latim, completam a programação cinematográfica. Ao todo, sete obras tiveram antestreia mundial ou internacional nos festivais de Sundance, Roterdão e, principalmente, Berlim.

A participação portuguesa na Competição de longas de ficção inclui quatro projectos. O produtor Fernando Vendrell foi buscar à obra de Vergílio Ferreira a inspiração para o seu novo trabalho como realizador, “Aparição”, que reúne Jaime Freitas e Vitória Guerra no elenco para narrar a história de um romance numa asfixiante Évora dos anos 50.

Vazante” é uma co-produção com a Ukbar estreada no Festival de Berlim e mergulha com o brilho da fotografia e da direcção de arte nos meandros da escravatura no Brasil – com um forte tom social impresso pela cineasta Daniela Thomas, colaborada habitual de Walter Salles.

Já “Praça Paris”, co-financiado pela Fado Filmes e com apoio do ICA, desloca-se para o universo contemporâneo e apresenta Joana de Verona a viver uma psicóloga imersa na realidade das favelas do Rio de Janeiro, com realização de Lúcia Murat. “Uma Vida Sublime”, do cineasta independente Luís Diogo, propõe um romance com elementos de “thriller”.

Conexão com os grandes festivais internacionais

Em relação ao Brasil, o FESTin deste ano logrou reunir a produção do país que fez parte do circuito dos grandes festivais internacionais em 2017. Estreado em Sundance “Não Devore o meu Coração”, de Felipe Bragança, trás uma mistura de fantasias indígenas com a situação bem real dos crimes cometidos contra eles na fronteira do Brasil com o Paraguai. Com Cauã Raymomd no elenco.

A obra também foi seleccionada para o Festival de Berlim, plataforma de lançamento de vários projectos desta edição. Pela secção Panorama passou “Como Nossos Pais”, obra escolhida para abrir o FESTin 2018. Com um forte acento feminino, trás um drama intenso e repleto de reviravoltas sobre relações familiares e distinções de género ainda culturalmente relevantes. O filme também terá distribuição em Portugal e contará com a presença da realizadora Laís Bodansky na sessão de abertura.

Já Fabio Meira viu o seu trabalho de estreia, “As Duas Irenes”, estrear na Generations no certame alemão; o filme encerra o FESTin com uma delicada história sobre amizade e expectativas adolescentes. Pela mesma secção passou “A Mulher do Pai”, onde Cristiane Oliveira narra os sonhos e desesperos típicos de uma jovem asfixiada pelos limites de uma pequena localidade no sul do Brasil.

Completam a Competição os filmes “Açúcar”, actualmente a ter estreia internacional em Roterdão, festival em andamento, e “Redemoinho”, um dos mais belos filmes a chegar às salas no Brasil em 2017.

Mostra Latim - A língua em movimento

Expandindo o âmbito da sua programação, o FESTin lança-se em torno do idioma ancestral do português, o Latim – seleccionando uma série de obras vindas de países com língua neolatina. Será o caso da Espanha, Cuba,  França, Itália e Roménia. E, pela primeira vez em Portugal, um filme que representa o Vaticano: "O Menor Exército do Mundo" foi o vencedor do Festival de Veneza para Melhor Documentário.

Sotaques da lusofonia

Fazendo eco da sua vocação primária de único representante da produção cinematográfica de países com ligações a Portugal, o FESTin apresenta na Competição de Documentários e na sessão especial Sotaques, obras de Angola, Cabo Verde, Moçambique, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial – com destaque para “Serviçais – Das Memórias à Identidade”, em Competição, onde Nilton Medeiros apresenta um duro retrato de um sistema de trabalhos forçados há muito desaparecido, mas que ainda hoje tem ramificações no mundo do trabalho em São Tomé e Príncipe.

A parceria Guiões

Uma das grandes novidades do FESTin deste ano é a parceria com a 4ª Edição do “Guiões – Festival de Roteiros de Língua Portuguesa”, que irá decorrer no âmbito do festival entre os dias 2, 3 e 4 de Março. O evento promove um encontro entre guionistas/roteiristas da indústria cinematográfica de Língua Portuguesa e serve como plataforma de escrita e promoções de pitchings, sessões de filmes, debates com representantes da indústria, workshops, masterclasses e premiação de autores vencedores.

Parceria com o Lusophone Film Festival

Dentro do carácter itinerante do FESTin a parceria com o Lusophone Film Fest leva a diversidade da produção em língua portuguesa a vários lugares do mundo – incluindo sessões em Nairóbi (Quénia), Zanzibar (Tanzânia), Bangkok (Tailândia), Sydney (Austrália), Phnom Penh (Camboja) e Macau (China).

10/09/2017

Estão abertas as inscrições para a 9ª edição do FESTin


Estão abertas as inscrições para a 9ª edição do Festival de Cinema Itinerante em Língua Portuguesa (FESTin), certame realizado anualmente na cidade de Lisboa. As candidaturas de produções cinematográficas nos formatos de longas-metragens, documentários, curtas-metragens e filmes infantis serão aceites até ao dia 10 de Novembro deste ano.

O pré-requisito para a candidatura é que os filmes sejam falados em língua portuguesa. A programação é composta de produções oriundas de países que falam português, nomeadamente Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O Festival tem quatro categorias competitivas e uma programação diversificada de mostras paralelas, que inclui a Maratona de Documentários, a Mostra de Cinema Brasileiro, a Mostra Festinha (dedicado à infância), a Mostra de Inclusão Social, o FESTin Arte e o FESTin+ (dedicado à 3ª idade).

Ao longo de sua história o FESTin já exibiu mais de 670 filmes, entre ficção e documentário nos formatos curtas, médias e longas-metragens. Há também actividades paralelas voltadas ao diálogo, a difusão e a formação no âmbito do audiovisual.

O Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa tem-se constituído como referência no sector, por ser o único evento em Portugal dedicado exclusivamente à cultura cinematográfica lusófona. O idioma está apenas relacionado com os aspectos da comunicação dos países, com as imagens sócio-culturais e o pensamento dos povos.

O Festival FESTin é um evento internacional dedicado do segmento do audiovisual, que procura fomentar a difusão, a interculturalidade, a inclusão social e o intercâmbio cultural, através da realização de um Festival de Cinema comprometido com a divulgação de diferentes culturas e práticas de respeito à diversidade presente na matriz da língua portuguesa.

A 9ª edição trará novidades, mas, para já, apenas podemos adiantar que o Festival passará a ser realizado mais cedo: em 2018, o FESTin será de 27 de Fevereiro a 6 de Março.

O FESTin  é organizado pela Asculp- Associação Cultural e Cidadania da Língua Portuguesa, com o apoio financeiro  da CML – Câmara Municipal de Lisboa e a Missão Brasileira junto a CPLP, em co-produção com  o Cinema São Jorge e em parceria estratégica com a EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, EEM.

Para mais informações: festin-festival.com

10/03/2017

Uma pequena vida, mas uma grande voz

Crítica: Elis

2016


Poster de "Elis"

"Elis" é um filme biográfico sobre uma das maiores cantoras brasileiras de sempre, Elis Regina, e consegue ser uma boa homenagem à falecida cantora, e a representar em filme um resumo da sua vida, sendo também um bom filme de entretenimento no geral. Foi também o filme escolhido para encerrar a 8ª Edição do FESTin, em Lisboa, tendo sido uma boa escolha.

Com uma vida recheada de percalços, Elis conseguiu mesmo assim afirmar-se numa indústria machista, muito através da sua personalidade directa e sem rodeios, conseguindo assim que a sua voz chegasse mais longe.

Andréia Horta numa cena de "Elis"

Aqui, o grande foco ao longo de todo o filme recai sempre na interpretação de Elis, e tenho de declarar a minha admiração pela actriz protagonista, Andréia Horta, que consegue personificar o físico e o espírito de Elis Regina de forma soberba, que mesmo quem desconheça a cantora consegue sentir o peso desta representação, e aplaudir o trabalho da actriz.

Por outro lado, o que se apresenta de forma mais negativa em "Elis" é a sua montagem e transições de tempo, que por vezes são feitas de forma muito apressada, fazendo com que o público se possa perder e não compreender tão bem certos saltos na narrativa. De resto estamos perante um filme competente, e que serve como uma referência para filmes biográficos.

Mau | Meh | Bom

09/03/2017

“Big Jato” vence 8ª Edição do FESTin

Imagem do filme "Big Jato"

A quarta longa-metragem do realizador brasileiro Cláudio Assis foi o filme vencedor da categoria Melhor Filme na 8ª Edição do FESTin. Esta história irreverente sobre um limpador de esgotos e o seu odiado irmão gémeo, interpretados por Matheus Nachtergaele foi a que mais agradou o júri composto pelas actrizes Carla Chambel e Joana de Verona e pelo fotógrafo Chico Aragão. É a segunda vez que um filme de Assis é distinguido na categoria depois que “Febre do Rato” foi o Melhor Filme em 2011.

Nachtergaele também foi o Melhor Actor, enquanto Glauce Guima, de “BR 716”, obra merecedora de uma Menção Honrosa, foi a Melhor Actriz. Por seu lado Érico Rassi, de “Comeback”, foi escolhido o Melhor Realizador, enquanto “Uma Vida à Espera”, de Sérgio Graciano, foi o vencedor do Prémio do Público.

Já o Prémio da Crítica, concedido por um júri composto por Inês Lourenço (Diário de Notícias), Carlos Natálio (À Pala de Walsh) e Vasco Batista Marques (Expresso), foi entregue a “Comeback”, do realizador Érico Rassi.

Por fim, destaque ainda para “Curumin”, obra de Marcos Prado que foi galardoada com a distinção de Melhor Documentário, e “Universo Preto Paralelo”, de Rubens Passaro, a Melhor Curta-Metragem.

Segue abaixo a lista completa dos vencedores:

Melhor Longa-Metragem de Ficção: “Big Jato”, de Cláudio Assis
Melhor Longa-Metragem de Ficção – Prémio da Crítica: “Comeback”, de Érico Rassi
Melhor Longa-Metragem de Ficção – Prémio do Público: “Uma Vida à Espera”, de Sérgio Graciano
Menção Honrosa Longa-Metragem de Ficção: “BR 716”, de Domingos de Oliveira.
Melhor Realizador: Érico Rassi, de “Comeback”
Melhor Actor: Matheus Nachtergaele, por “Big Jato”
Melhor Actriz: Glauce Guima, por “BR 716”
Melhor Documentário: “Curumim”, de Marcos Prado
Menção Honrosa Documentário: “Todos”, de Marilaine Castro da Costa e Alberto Cassol
Melhor Documentário – Prémio do Público: “Um Sonho Soberano” de Gonçalo Portugal Guerra
Melhor Curta-Metragem: “Universo Preto Paralelo”, de Rubens Passaro 
Melhor Curta-Metragem – Prémio do Público: “Kuru”, de Francisco Antunez
Menção Honrosa Curta-Metragem: “Rosinha”, de Gui Campos
Melhor Infanto/Juvenil Júri Adulto: “Lua em Sagitário”, de Márcia Paraíso
Menção Honrosa  Infanto/Juvenil Júri Adulto: “O projeto do meu Pai”, de Rosaria
Menção Honrosa Júri Infantil: “Pequenos Animais sem Dono”, de Maju de Paiva

07/03/2017

"Change It" celebra o papel da Mulher a convite do FESTin


Hoje, no Cinema São Jorge, o CHANGE IT, a Federação das Mulheres Empresárias da CPLP e o FESTin, irão juntar-se no 15º Encontro Criativo daquele que é o maior movimento nacional dedicado à Mudança.  Dividido em 2 painéis, o encontro reúne novos Changers que irão debater o papel da mulher na sociedade, em celebração antecipada do Dia da Mulher.

16H30: TEMA: A mulher e o Mundo - O futuro em 2017
São Abdula – Presidente da Federação das Mulheres Empresárias da CPLP
Joana Cruz – Locutora da Rádio RFM
Joana Amaral Dias - Psicóloga e Política
Rui Vilhena - Argumentista
Susana Torres - High Performance Coach


18h30: TEMA: O novo Feminismo - O caminho para a mudança?
Salimo Abdula – Presidente da Confederação Económica da CPLP
Sofia Tenreiro – General Manager Cisco
Sofia Nicholson - Actriz
Rose Palhares – Designer de Moda
Patrícia Vasconcelos – Directora de Casting / Fundadora da Act
Andreia Horta - Actriz


Um Movimento que partiu de uma inquietude natural da sua fundadora, para uma verdadeira comunidade de pensadores e fazedores, que cresce a cada dia que passa. Hoje são quase 10 mil mentes inquietas. Hoje, são 10 mil e amanhã serão mais, sempre com vontade de serem melhores, diferentes, irreverentes e capazes de transformar realidades...

05/03/2017

"O cinema é uma arte de equipa."

A longa-metragem "A Floresta das Almas Perdidas" é a primeira obra neste formato realizada por José Pedro Lopes, conhecido já por ter realizado diversas curtas-metragens, e tem a sua estreia lisboeta hoje no festival FESTin, no Cinema São Jorge.

O seu criador diz-nos que este filme "é, na sua essência, um filme com muita portugalidade nos seus relacionamentos".

Conheçam aqui um pouco sobre José Pedro Lopes e "A Floresta das Almas Perdidas", nesta mini entrevista:

O realizador José Pedro Lopes e a actriz Daniela Love

Depois de diversas curtas-metragens produzidas, escritas e realizadas, chega agora a primeira longa-metragem, "A Floresta das Almas Perdidas", escrita e realizada por José Pedro Lopes. O que sentes ao ler a afirmação anterior?

José Pedro Lopes: É uma grande alegria fazer uma longa-metragem. Todos crescemos a ver longas, e foi com elas que nos apaixonamos por fazer cinema. É também uma maior entrega e compromisso com os espectadores: temos de contar uma história e fazer uma proposta que por si as faça sair de casa e ir ver. Isso é muito gratificante.
Não vejo como um feito pessoal no entanto, mas como um feito da produtora Anexo 82 na qual trabalho. Aliás, este filme é feito pela mesma equipa das curtas-metragens que fizemos nos últimos anos. O cinema é uma arte de equipa.

O género do Terror e Suspense é algo com que costumas trabalhar, como por exemplo em "Survivalismo", "M is for Macho" e agora com "A Floresta das Almas Perdidas". O que te atrai mais dentro destes géneros?

José Pedro Lopes: Eu comecei a ver filmes de terror quando era adolescente com o meu irmão, na era dos videoclubes de VHS. Éramos capazes de apanhar dois autocarros para ir ao outro lado da cidade do Porto para alugar uma fita do 'Sexta-Feira 13 Parte VII' que só havia no videoclube mais longe possível. O Fantasporto também fez a diferença - ter aquela semana anual onde podia ver filmes asiáticos e propostas estranhas que no circuito comercial não encontrava.
Apesar de serem de terror, creio que "A Floresta das Almas Perdidas" é uma proposta mais arrojada. Há ali terror, na linha do "slasher", com inspiração no cinema do John Carpenter e do Dário Argento. Mas é também uma história familiar, sobre tragédia e perda, e como sobreviver a ela. É uma reflexão sobre os valores da sociedade actual, com um lado crítico muito profundo.
Creio que a principal diferença é que não queria apenas fazer terror em "A Floresta" - o filme vai do drama à comédia, tem momentos de terror e é, na sua essência, um filme com muita portugalidade nos seus relacionamentos.

Imagem/Still de "A Floresta das Almas Perdidas"

Escreveste uma curta-metragem de Animação "Zombies4Kids", que foi nomeada a um prémio CinEuphoria. Qual foi o maior desafio de criar um filme do género de Animação em Portugal?

José Pedro Lopes: O "Zombies4Kids" começou com uma brincadeira com o Pedro Santasmarinas. Ele descobriu que eu tinha gravado uma série de músicas anti-pop onde eu cantava, uma delas chamada "Zombies para Crianças". Ele tem muito talento para desenhar mas não tinha feito curtas em animação, só imagem real. Então lá decidimos fazer uma curtinha. Foi uma excelente experiência, e passou no Indie Júnior para as escolas. As crianças de 12 anos adoraram porque afinal todas viam o "The Walking Dead".

Não é comum, actualmente, que um filme seja pensado a preto e branco, muito menos um filme do género Terror. Qual foi o motivo principal para que "A Floresta das Almas Perdidas" seja a preto e branco?

José Pedro Lopes: "A Floresta das Almas Perdidas" é um filme que cruza géneros e o faz de maneira bastante no limite. É uma história de amizade, com um lado melancólico e um lado fraternal. E, depois, cai no terror e muda de protagonistas. Essa transição abrupta do argumento tinha de ser gerida no filme e na sua estética. Não queria que o filme tivesse mudado só a linha narrativa. Daí a imagem do filme ser tão trabalhada em grandes planos e nas texturas que o preto e branco trás. Ou no ambiente sonoro opressivo constante, que visa ser uma espécie de "catedral à Dário Argento". O terror a preto e branco esteve esquecido, mas estes últimos anos tiveste alguns filmes muito bons, como o "Os Olhos da Minha Mãe" e o "Darling". É um género que ganha muito com a textura e o isolamento que o preto e branco trás às personagens.

"A Floresta das Almas Perdidas" estreou em Portugal no Fantasporto, com uma calorosa recepção a nível da crítica, e agora passa pelo FESTin, em Lisboa. Quais os planos futuros para a divulgação deste filme?

José Pedro Lopes: Foi uma grande alegria a sessão no Fantasporto. É um festival que nos é muito querido por sermos da cidade e termos crescido com ele. O público reagiu muito bem ao filme. Riram com a dinâmica dos protagonistas (o Jorge Mota e a Daniela Love trazem muito carisma à nossa história), e reagiram muito bem ao 'twist' obscuro que o filme tem a meio e ao que vem a seguir.
Acima de tudo pareceu-me que o público ficou contente por ir ver um filme português no género do terror e com uma postura tão aberta.

Imagem/Still de "A Floresta das Almas Perdidas"

04/03/2017

Homem como Animal e vice-versa

Crítica: Animal Político

2016


Poster de Animal Político

"Animal Político" é o primeiro filme em formato de longa-metragem do escritor e realizador brasileiro Tião, e não é um filme comum, nem normal, mas é sem dúvida interessante. Presente na 8ª Edição do FESTin, em Lisboa, conta com uma abordagem muito própria em relação ao pensamento humano e à sociedade civil em que vivemos hoje em dia. Temos aqui um filme que quer romper com as normas sociais convencionais, e levar o espectador numa viagem mental.

Baseado numa ideia para uma curta-metragem, este "Animal Político" sofre com uma extensão narrativa que por vezes é difícil colar e agregar no contexto de uma longa-metragem. Esta será talvez a maior falha desta obra.

Imagem do filme Animal Político

Apesar de a narrativa por vezes levar o público a tentar assimilar tudo o que se está a passar à sua volta, é com o estilo visual marcante que este filme prende, onde tanto podemos ver uma vaca a ir às compras ou a comer num restaurante, como um homem sem cabeça a andar no deserto, ou um iglo feito de livros.

As ideias presentes neste filme são realmente interessantes, mas é a sua estrutura que se perde ao longo do filme, e caso isso fosse mais desenvolvido ou reformulado, estaríamos perante um filme muito bom sem dúvida. Veremos o que o realizador Tião fará no futuro.

Mau | Meh | Bom

03/03/2017

"Amo viver em Portugal. Tenho qualidade de vida."

A actriz Karla Muga compõe o elenco do filme "O Intruso", que é exibido amanhã, dia 4 de Março em Lisboa, na 8ª Edição do FESTin.

Nós decidimos fazer uma mini entrevista à actriz, para a conhecermos melhor.

A actriz Karla Muga

1 - Gostaria de começar por perguntar-lhe qual é a grande diferença, para si, entre trabalhar uma personagem para uma série/novela ou para um filme?

KM: Bastante, no cinema normalmente temos acesso ao percurso total do personagem. As novelas e séries são obras abertas e podemos ser surpreendidos a qualquer momento com guinadas.

2 - Depois de vários trabalhos no Brasil, tem vindo a trabalhar recentemente em produções portuguesas, como a novela "A Única Mulher" ou o filme "Cinzento e Negro". O que a leva a trabalhar mais em Portugal, ou com equipas portuguesas?

KM: Amo viver em Portugal. Tenho qualidade de vida.

3 - O filme português "Cinzento e Negro", em que participa, foi recentemente nomeado a 14 Prémios Sophia, da Academia Portuguesa de Cinema, tendo sido o filme mais nomeado. O que acha destas distinções?

KM: Orgulhosa de ter feito parte neste belíssimo projeto. Todas as nomeações são merecidas. O Luís Filipe e a equipa trabalharam exaustivamente para alcançar esses resultados.

Imagem do filme "O Intruso"

4 - Este ano no FESTin vem apresentar o filme "O Intruso", um thriller de Paulo Fontenelle. Como descreveria a sua experiência em trabalhar neste filme?

KM: “Intruso” é uma daquelas coisas que tinha mesmo que acontecer na minha vida. A forma como abracei o projecto no dia que li o guião pela primeira vez. Tudo o que fizemos para ele chegar até aqui com tão poucos recursos. Isso tudo traduz a minha filosofia de vida: "faça acontecer", "joga a semente", "faça você mesmo", "não fique a espera".

5 - Por último, o que nos pode contar sobre os seus futuros projectos como actriz, e o que gostaria mais de ver cumprido na sua carreira nos próximos 10 anos?


KM: No final de 2017 vamos filmar o "Intruso 2" e espero que continue tendo o privilégio de fazer as coisas que acredito. Ainda tenho muitas "histórias" por contar, no cinema, na televisão, no teatro ou na web. Leve o tempo que levar. Que venham os próximos 10 anos.

02/03/2017

Brasília, ontem e hoje

Crítica: O Outro Lado do Paraíso

2014


Poster de O Outro Lado do Paraíso

A escolha do filme que abriu a 8ª Edição do FESTin recaiu em "O Outro Lado do Paraíso", um filme brasileiro de 2014, e esta escolha foi acertada, pois estamos perante um filme que mistura bem uma componente histórica, que vale sempre a pena realçar, com uma componente humana universal e que é transversal em todas as gerações: a incessante busca por melhores condições de vida para nós próprios e para a nossa família mais chegada.

Com uma produção muito envolvente e bem construída tecnicamente, vemos uma história a ser narrada, com base em aspectos e acontecimentos reais, de uma forma muito simples, mas não simplista, e que no caso deste filme assenta bem.

Imagem do filme O Outro Lado do Paraíso

Quero destacar aqui o que considerei ser sem dúvida os dois pontos mais fortes desta obra: a fotografia e composição cénica, e a prestação de todo o elenco jovem aqui presente.

Todo o elenco presta um bom serviço às suas personagens, mas é de facto o elenco mais jovem que consegue levar a narrativa a uma forma mais elevada, com actuações realmente muito boas, que provavelmente muitos actores adultos formados não conseguiriam chegar a este nível. Deixo aqui os meus parabéns aos actores, assim como à direcção de actores.

"O Outro Lado do Paraíso" é um filme que serve de referência para quem queira conhecer melhor a história do Brasil, e a construção da sua capital, Brasília, tendo por base uma componente humana universal e que nos toca a todos.

Mau | Meh | Bom

28/02/2017

A partir de amanhã há FESTin em Lisboa


FESTin exibe a força da cinematografia lusófona

O Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) avança para a sua 8ª Edição, e decorre de 01 e 08 de Março no Cinema São Jorge e no Instituto Cervantes. Sendo o único evento do género no país, o festival concentra a sua programação na produção cinematográfica de países de língua portuguesa. Num momento em que Portugal e Brasil, mais uma vez, demonstram novamente a força dos seus cinemas no recém finalizado Festival de Berlim, o FESTin traz uma mostra única da qualidade de trabalhos recentes de ambas as nacionalidades. Para além destes dois países, e fiel à sua história, trabalhos provenientes dos demais países de línguas portuguesas completam a programação.

O festival também está inserido nos eventos da Lisboa Capital Ibero-Americana de 2017 e encerra, justamente, no Dia Internacional da Mulher, estando as temáticas femininas presentes tanto na programação cinematográfica quanto nos eventos paralelos. E o evento ibero-americano – Passado e Presente – é aproveitado para relacionar actividades que analisam o papel feminino no audiovisual.

A Competição

Entre os filmes da Competição, “Quase Memória”, protagonizado por Tony Ramos e um trabalho semi-autobiográfico de ícone do Cinema Novo, Ruy Guerra, e “Prova de Coragem”, obra de Roberto Gervitz contarão com a presença de Mariana Ximenes – actriz que, além de um rosto conhecido da televisão, tem usado o seu prestígio para co-produzir diversos trabalhos autorais e alternativos no Brasil – como o caso destes dois filmes.

Outro veterano, Domingos de Oliveira, apresenta “BR 716”, obra filmada em estilo da Nouvelle Vague para fazer uma leitura muito particular das esperanças dos anos 60. Protagonizada por Caio Blat, tem participação de Pedro Cardoso, que estará também em Lisboa para apresentar o filme.

Numa fase particularmente próspera para o cinema brasileiro, a competição do FESTin funciona como a melhor montra em Portugal para os filmes do país. De um dos mais emblemáticos pólos de produção, Pernambuco, chegam o último trabalho de um dos seus grandes nomes, Cláudio Assis com “Big Jato”, e o provocador “Animal Político”, obra de estreia de Tião. Destaque ainda para “Comeback”, uma melancólica abordagem da terceira idade através da velhice de um ex-assassino de aluguer, e “Para ter onde Ir”, um road movie pelas paisagens amazónicas do Pará.

Do lado português há a estreia de José Pedro Lopes com “A Floresta das Almas Perdidas”, uma mistura de terror com arthouse, e o terceiro trabalho de Sérgio Graciano, “Uma Vida à Espera”, distinguindo o seu trabalho na televisão com uma obra de forte traço de autor.

Fora de competição, o festival abre com o brasiliense “O Outro Lado do Paraíso”- baseado na obra do escritor Luiz Fernando Emediato, que virá a Lisboa para apresentar o filme -  traz um drama com contornos mais clássicos. No encerramento, no Dia da Mulher, “Elis”, biografia de um dos ícones da música brasileira, Elis Regina, contará com a presença da actriz Andreia Horta e do realizador Hugo Prata.

Lisboa: Capital Ibero-Americana da Cultura

O FESTin foi um dos eventos culturais seleccionados para integrar o 2017 - Lisboa Capital Ibero-Americana da Cultura e a homenagem nesta edição é dedicada às mulheres no audiovisual. Entre as diversas actividades no Cinema São Jorge estão previstos debates, mesas redondas, masterclasses e pelo menos três mostras especiais.

O papel feminino na história do audiovisual português é igualmente observado na mostra de alguns trabalhos da realizadora Margarida Gil. Nascida na Covilhã, com uma extensa carreira no cinema e na televisão, os seus filmes mais emblemáticos – caso de “Rosa Negra” (1992), que fez parte da competição no Festival de Locarno, “O Anjo da Guarda” (1998), “Adriana” (2004), “O Fantasma de Novais” (2012) e “Paixão” (2012) serão exibidos durante o festival.

Fazendo a devida ligação com as Américas, o festival vai exibir títulos da cinematografia latino-americana, para além de uma mostra especial, a realizar-se principalmente no Instituto Cervantes, de filmes de Titón (alcunha de Tomás Gutiérrez Alea), um dos mais prestigiados realizadores cubanos falecido em 1996. A sua viúva e protagonista de algum dos seus filmes, Mirta Ibarra, estará presente. A actriz foi responsável pelo documentário “Titón – de Habana a Guantanamera”, que também será exibido.

Do país vizinho, a Espanha, a realizadora Concha Barqueiro desembarca em Lisboa para trazer o seu filme “Pepe el Andaluz”. E do outro oceano recebemos duas produções: a uruguaya “Miga de Pan” da realizadora Manane Rodrigues (presente na sessão),  e “Dólares de Areia”, de Israel Cardenas da República Dominicana.

Documentários

Entre os seis documentários em competição, o destaque é “Curumim”, filme que causou forte impacto no Festival de Berlim do ano passado, ao contar a história do brasileiro condenado à pena de morte, por tráfico de drogas na Indonésia. Obtendo imagens filmadas no seu longo cativeiro pelo próprio biografado, Marcos Prado construiu um filme intenso.

Festinha

As sessões para os mais novos vão ter este ano a novidade da competição – incluindo um júri adulto e outro composto por crianças, que atribuirão uma Menção Honrosa a um dos oito filmes seleccionados.

Todas as informações sobre o festival estão disponíveis no site do FESTin – www.festin-festival.com

O FESTin é organizado pela ASCULP - Associação Cultura e Cidadania da Língua Portuguesa, em co-produção com o Cinema São Jorge e parceria estratégica com a EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, E.E.M. e conta com o apoio financeiro da CML – Câmara Municipal de Lisboa (CML).

08/02/2017

As mulheres e o cinema de autor em destaque na 8ª Edição do FESTin



O festival FESTin decorre entre 01 a 08 de Março no Cinema São Jorge e no Instituto Cervantes, em Lisboa. O Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) traz novamente a produção cinematográfica dos nove países que compõem a comunidade dos países em língua portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Num ano em que alguns dos seus eventos estão inseridos na programação da Lisboa 2017 - Capital Ibero-americana de Cultura e que encerra, justamente, no Dia Internacional da Mulher, as temáticas femininas estarão presentes tanto na programação cinematográfica quanto nos eventos paralelos. Estas aproveitam a rubrica do evento ibero-americano – Passado e Presente – para relacioná-lo às actividades que analisam o papel feminino no audiovisual.

Mariana Ximenes no FESTin

A atriz brasileira, presente em dois filmes da competição do FESTin, estará no Cinema São Jorge durante o festival. Não apenas um nome conhecido dos espectadores de telenovelas, Mariana Ximenes é uma das personalidades que mais investe em cinema alternativo no Brasil – vindo daí a participação num filme que co-produz (“Prova de Coragem”) e outro onde actua (“Quase Memória”) e que fazem parte da selecção principal.

No primeiro caso, trata-se da adaptação de um livro de Roberto Gervitz e conta a história de um casal, um médico e uma artista plástica presos entre o desafio do casamento, da proximidade do nascimento de um filho e as situações mal resolvidas no íntimo de cada um deles.

Já “Quase Memória” é um trabalho semi autobiográfico de um dos grandes nomes do Cinema Novo brasileiro, Ruy Guerra – que aqui desafia as regras narrativas e propõe um belíssimo estudo sobre a memória. O elenco principal inclui Tony Ramos.

Lisboa Capital Ibero-americana de Cultura: passado e presente

O FESTin foi um dos eventos culturais seleccionados para fazer parte da Lisboa Capital Ibero-americana de Cultura e aproveitou para acentuá-la no feminino. Entre as diversas actividades no Cinema São Jorge, estão previstos debates, mesas redondas, masterclasses e pelo menos três programações especiais de filmes.

Fazendo a devida ligação com as Américas, o festival vai exibir títulos da cinematografia latino-americana, para além de uma mostra especial, a realizar-se principalmente no Instituto Cervantes, de filmes de Titón (alcunha de Tomás Gutiérrez Alea), um dos mais prestigiados realizadores cubanos falecido em 1996. A sua viúva e protagonista de alguns dos seus filmes, Mirtha Ibarra, estará presente. A actriz foi responsável pelo documentário “Titón – de Habana a Guantanamera”, que também será exibido.

O papel feminino na história do audiovisual português é igualmente observado na mostra de alguns trabalhos da realizadora Margarida Gil. Nascida na Covilhã e com uma extensa carreira no cinema e na televisão, a cineasta terá exibido no São Jorge os seus filmes mais emblemáticos – caso de “Rosa Negra” (1992), que fez parte da competição no Festival de Locarno, “O Anjo da Guarda” (1998), “Adriana” (2004), “O Fantasma de Novais” (2012) e “Paixão” (2012).

Antestreias portuguesas

O festival terá a antestreia lisboeta de dois novos projetos portugueses. “Uma Vida à Espera”, é a terceira longa-metragem de Sérgio Graciano (de “Assim Assim” e “Njinga”) que afasta-se do formato mais acessível dos seus trabalhos anteriores para propor a imersão na vida de um sem-abrigo que perambula pelas ruas da capital à espera de uma carta que pode ou não chegar.

Enquanto Sérgio Graciano afasta-se do cinema de género, José Pedro Lopes investe num território pouco explorado no cinema português na sua primeira longa-metragem. “A Floresta das Almas Perdidas” aborda, com o selo de “filme de terror”, a experiência de dois personagens que se encontram num lugar para onde costumam ir os suicidas.

Temáticas lusófonas

No universo da lusofonia um dos destaques será a produção de Timor-Leste “Avô Crocodilo” – um documentário editado especialmente para o FESTin. O filme, com destaque para a bela fotografia, narra episódios de resistência à invasão indonésia.

Por seu lado “Deolinda” aborda um dos mitos da história angolana – uma enfermeira que largou uma vida estável para lutar pela liberdade do seu país.

Um dos mais belos filmes da programação do FESTin, “O Outro Lado do Paraíso” abre o festival com um drama social de contornos mais clássicos, narrando a história de uma família pobre que luta para se estabelecer numa Brasília em plena construção no início dos anos 60.

Andreia Horta, intérprete de Elis Regina, é outra presença no FESTin

Já “Elis”, um dos grandes sucessos do cinema brasileiro de 2016, é uma prenda para o Dia Internacional da Mulher, narrando a trajectória de um dos maiores ícones da Música Popular Brasileira (MPB), Elis Regina. A actriz Andreia Horta, que interpreta a cantora, foi uma das grandes revelações do cinema brasileiro do ano passado e virá a Lisboa para a sessão de encerramento.

Competição e FESTin Arte

A competição deste ano reforça o trajecto iniciado há dois anos no sentido de funcionar como uma mostra do que melhor em termos de cinema de autor se produz em territórios lusófonos. Para além dos filmes citados, completam a rúbrica obras como “Para Ter onde Ir”, que traz um road movie abordando as encruzilhadas de três mulheres sobre as belas paisagens do Pará, região amazónica brasileira, ou “Comeback”, protagonizado por um dos melhores actores do Brasil, Nélson Xavier (vencedor do prémio de Melhor Actor no FESTin 2015), a viver um assassino de aluguer retirado – num filme que apresenta o tema do crime a soldo num melancólico vai-e-vem próprio dos desafios da terceira idade.

Do polo mais criativo de inovações brasileiras, o estado de Pernambuco – que revelou, entre outros Kléber Mendonça, premiado em Cannes no ano passado – vem o ousadíssimo “Animal Político”, que narra com diálogos acutilantes, um ácido sentido de humor e pinceladas de surrealismo, a história de uma vaca em crise existencial. O filme estreou na secção Bright Future do Festival de Roterdão. Pelo seu carácter mais experimental, o projecto figura, junto a “Quase Memória”, na secção FESTin Arte.

Outro ilustre luminar de Pernambuco, o premiadíssimo Cláudio Assis (vencedor do prémio de Melhor Filme do FESTin em 2011 com “Febre do Rato”) surge com “Big Jato” – novamente trazendo rebeldia a rimar com poesia. Em outras paisagens, “BR 716” mergulha no espírito sessentista do Rio de Janeiro para lhe prestar um movimentado requiem.

Documentários

Entre os seis documentários em competição, o destaque é “Curumim”, filme que causou forte impacto no Festival de Berlim do ano passado, ao contar a história do brasileiro condenado à pena de morte por tráfico de drogas na Indonésia. Obtendo imagens filmadas no seu longo cativeiro pelo próprio biografado, Marcos Prado construiu um filme intenso.

Nesta secção também destaque para “Todos”, obra que personifica a vocação social do festival, ao trazer um trabalho que permite ser apreciado por uma audiência de deficientes auditivos e visuais.

Festinha

As sessões para os mais novos vão ter este ano a novidade da competição – incluindo um júri adulto e outro composto por crianças, que atribuirão uma Menção Honrosa a um dos dez filmes seleccionados.

Os bilhetes para o festival estarão à venda na bilheteira do Cinema São Jorge a partir de segunda-feira, dia 13 de Fevereiro, e são os seguintes:

3,00€ (bilhete normal)
2,50€ (até 25 anos e maiores de 65 anos)
1,50€ (estudantes e grupos de mais de 10 pessoas/preço por pessoa)
1,50€ (Mostra de Documentários/preço por sessão)
Sessões Festinha: 2€ (adultos) e 1€ (crianças até 12 anos)