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05/06/2018

Uma "macacada" com qualidade

Crítica: Planeta dos Macacos: A Guerra

2017


Poster de "Planeta dos Macacos: A Guerra"

A saga "Planeta dos Macacos" remete-nos para histórias e adaptações já com alguns anos de vida, contudo em 2011 estreou o primeiro filme de uma trilogia para adaptar em parte esta história a uma nova geração, e em 2017 conclui-se este capítulo, com a estreia de "Planeta dos Macacos: A Guerra". É bastante raro que uma saga de filmes consiga manter o interesse do público e da crítica ao longo de todos os seus filmes, mas esta nova onda de 'macacos' conseguiu esta proeza, ora veremos.

Primeiro foi "A Origem" em 2011, depois veio "A Revolta" em 2014, e por fim chega "A Guerra" em 2017, sendo que, por exemplo, o seu ranking no site IMDb é de, respectivamente, 7.6, 7.6 e 7.5. Para além disso estes três filmes foram todos nomeados no seu respectivo ano ao Óscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais, sendo que também todos eles foram um sucesso de bilheteira.

Esta consistência ao longo de uma trilogia de filmes não só é rara como também é de louvar, e dar os parabéns aos seus criadores pela coerência e estabilidade que conseguiram aqui.

Imagem de "Planeta dos Macacos: A Guerra"

Toda a base narrativa criada em volta deste "Planeta dos Macacos" vai de encontro à sobrevivência da espécie humana, à ligação genética que temos com os macacos e aos limites da capacidade humana e da sua 'animalidade'. Este capítulo final encerra em boa forma esta linha narrativa, nunca nos deixando surpreender pela qualidade técnica aqui alcançada, e pelos efeitos especiais apresentados, que possuem uma 'realidade' assustadora e quase perfeita.

Este é um filme que pode ser visto e apreciado em separado, mas que traz mais sentido e impacto quando visto em conjunto com os dois filmes anteriores, como seria de esperar. Para quem já conhece e acompanha esta saga não há muito mais a acrescentar, e para quem não conhece sugiro que o faça, porque irá surpreender-se pela positiva.

Mau | Meh | Bom

29/05/2018

Uma escolha impossível, muito Kubrickiana

Crítica: O Sacrifício de Um Cervo Sagrado

2017


Poster de "O Sacrifício de Um Cervo Sagrado"

A estrutura de um filme cujo título é (tradução literal) "O Sacrifício de Um Cervo Sagrado" poderá não ser a mais comum de todas. E esta afirmação é correcta. Contudo não deixa de ser uma estrutura cinematográfica única e que mantém o interesse do público de uma forma que pode incomodar, mas que ao mesmo tempo atrai e é magnética.

Para quem já conhece o estilo e o trabalho do realizador Yorgos Lanthimos, então este tipo de narrativa pode já não ser nenhuma novidade, mas isso não significa que não deixa de surpreender e de deixar a sua marca após os créditos finais.

Imagem de "O Sacrifício de Um Cervo Sagrado"

Com um estilo muito Kubrickiano, toda a estética e a componente visual deste filme estão pensadas ao pormenor e toda a equipa consegue aqui criar um ambiente quase inexistente numa sociedade actual, mas que no entanto encontra-se presente no dia-a-dia de muitas classes sociais.

A utilização do suspense em harmonia com uma banda-sonora avassaladora criam ainda um maior impacto do que aquele que a história em si já tem consigo, e a envolvência com o espectador é ainda mais intrigante. Todo o elenco está também de parabéns, com interpretações muito coesas e que se enquadram em toda a ambiência criada, com destaque principalmente para todo o elenco jovem/infantil e para a actriz Nicole Kidman.

Mau | Meh | Bom

04/03/2018

Uma entre muitas Tonyas

Crítica: Eu, Tonya

2017



Em qualquer desporto ou modalidade de alta competição, sabe-se que infelizmente não é apenas o talento e a qualidade técnica que servem de base para ganhar medalhas ou troféus, mas também a imagem que as pessoas transmitem e aquilo que os media conseguem criar, sendo que tudo isso tem um impacto bastante forte numa pessoa, principalmente numa pessoa ainda adolescente, como foi o caso de Tonya.

Colocando a veracidade dos factos mostrados em "Eu, Tonya" de lado, vemos então um filme que demonstra com eficácia a forma como a paixão e o talento nato para uma determinada modalidade é algo que deve ser admirado, mas também que pode ser destruído por relações abusivas e por um sistema social onde prevalece a arrogância e a futilidade.

Imagem de "Eu, Tonya"

O grande destaque aqui vai sem dúvida para a personagem que dá nome ao filme, assim como para a actriz Margot Robbie, que tem uma prestação sublime e carregada de emoções diversas, mas que dão uma grande coerência à personagem e à sua evolução ao longo do filme.

A montagem e edição também adicionam um factor interessante ao filme e uma mais valia, contudo é difícil de não reparar nos efeitos especiais que estão medianos e que poderiam ter sido trabalhados de melhor forma, fazendo com que a audiência se distraia em algumas ocasiões.

Este é um filme bem conseguido, com um elenco muito bom, mas que retrata uma história dramática e triste, onde não ficamos com boas memórias. Não do filme em si, mas deste tipo de histórias, que infelizmente acontecem na realidade e que muitas delas não chegam sequer a ser conhecidas.

Mau | Meh | Bom

17/02/2018

Um amor que podia ter ido mais longe

Crítica: Chama-me Pelo Teu Nome

2017



Com um total de quatro nomeações aos Óscares, incluindo uma nomeação para Melhor Filme, este "Chama-me Pelo Teu Nome" é um filme muito italiano onde se retrata uma história romântica entre um homem e um rapaz adolescente, que sentem uma ligação forte e especial, mas que acaba por ser devorada pela situação social que os rodeia e pelas suas diferenças a nível das perspectivas que cada um tem para o seu futuro.

Apesar de ser uma história bem escrita e bem realizada, é um filme que cumpre em todos os níveis, mas que não passa disso mesmo: um filme que cumpre apenas. Ficamos com a sensação de que falta aqui um impacto maior e que não nos conseguimos interessar tanto quanto era suposto por estas personagens e pelos dramas de vida que a elas pertencem.

Seguindo, por exemplo, uma linha narrativa com diversos pontos em comum com um filme como "O Segredo de Brokeback Mountain", não consegue criar uma empatia forte, faltando aqui um elo de ligação com o público, ao contrário de 'Brokeback Mountain'.

Imagem de "Chama-me Pelo Teu Nome"

Destaca-se aqui como o ponto mais forte ao longo do filme todo o elenco que o compõe, e também se destaca uma cena em particular, onde o discurso que um pai tem com o seu filho adolescente é de uma força arrasadora, e muito bem escrito, onde cada palavra tem um impacto profundo. A nível técnico destaco também a fotografia e a banda-sonora.

Se todo o filme tivesse a força dessa cena em particular, então estaríamos perante um dos melhores filmes dos últimos anos certamente, mas infelizmente não é esse o caso. Acabamos por ter uma obra bem estruturada mas com pouca garra e que poderia ter ido bem mais longe.

Mau | Meh | Bom

15/02/2018

As várias formas humanas

Crítica: A Forma da Água
2017

Poster de "A Forma da Água"

A maldade, a bondade e o amor são palavras que podemos considerar quase como exclusivamente humanas, no entanto a forma como as expressamos varia de pessoa para pessoa, assim como a água pode ter várias formas.

O realizador Guillermo del Toro é conhecido por sempre mostrar um lado místico e fantasioso nos seus filmes, e este "A Forma da Água" não é excepção. Com uma realização muito bem executada, é nos detalhes e nas mensagens que encontramos nas entrelinhas, e numa segunda ou terceira análise sobre algumas cenas e sequências deste filme, que podemos presenciar a qualidade deste realizador e a paixão com que se dedica a cada história e ao que pretende que seja transmitido.

Aqui o que leva o espectador para um lado menos positivo é a previsibilidade do caminho que a história vai seguir, e da tentativa de juntar demasiados temas e clichés numa narrativa que simplesmente não necessita de muita coisa à mistura.

Imagem de "A Forma da Água"

Este é o filme que este ano soma o maior número de nomeações aos Óscares, num total de 13, e percebe-se em grande parte pois aqui a componente técnica destaca-se bastante pela positiva, e tem um papel principal ao longo de todo o filme, sendo que a sua execução está extremamente bem feita, desde os cenários aos efeitos especiais, fotografia, banda-sonora, etc.

Todo o elenco é também bastante competente, com destaque para a actriz Sally Hawkins, num papel não muito comum no cinema dos dias de hoje. Esta 'forma da água' é um filme muito competente, e que cumpre na mensagem que transmite, sem ser no entanto uma obra que marque pela diferença, jogando sempre pelo seguro.

Mau | Meh | Bom

10/02/2018

As estrelas não morrem só no céu

Crítica: As Estrelas Não Morrem em Liverpool
2017

Poster de "As Estrelas Não Morrem em Liverpool"

Com base em parte da vida da actriz Gloria Grahame, este é um filme que ultrapassa as barreiras do género de cinema biográfico para nos apresentar uma obra comovente que faz com que as relações amorosas e familiares sejam a base para muitas das coisas interessantes que temos na vida, e as escolhas que fazemos nesse sentido.

A actriz Annette Bening tem aqui uma interpretação fantástica, digna de diversos prémios cinematográficos, e o actor Jamie Bell também não se deixa ficar atrás. Numa relação amorosa onde o factor idade é, à primeira vista, a característica mais ressonante, é também a que menos interessa no final das contas, pois o que se destaca em todo este filme é o amor com base numa relação bastante forte.


A mensagem que aqui é transmitida é tão universal que não deixa de convencer e emocionar o público, principalmente quando nos encaminhamos mais para as cenas finais. Tenho de aqui destacar que a eficácia deste filme passa pela forma como essa mesma mensagem é transmitida, isto é, muito em parte pelo argumento mas também pela maneira como a montagem está executada.

Com o recurso a uma montagem não muito comum neste tipo de filmes, com quebras no tempo e cenas "incompletas", é dado um impacto superior à história aqui contada. Este tipo de edição poderia ser um risco falhado, mas a realização aqui cumpre o seu papel, e a montagem é sem dúvida uma mais valia.

Mau | Meh | Bom

28/01/2018

Sapatos, Música e Coco

Crítica: Coco
2017


Num mundo onde os vivos e os mortos encontram-se ligados de uma forma muito especial, existe uma senhora muito idosa de nome Coco, que vai deixar-nos a todos nós emocionados. A equipa Disney/Pixar consegue outra vez encontrar uma nova forma de criar um filme de animação que consegue emocionar os mais pequenos e os mais graúdos, e entreter de forma muito eficaz toda uma família.

Nomeado para dois Óscares (Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original), este "Coco" consegue ser realmente um dos melhores filmes de 2017, pois para além de toda a qualidade técnica de excelência em animação a que já estamos habituados, centra-se no tema da vida/morte e dos espíritos dos que já partiram para um outro mundo, que podemos dizer ser algo arriscado, nomeadamente para um filme de animação/infantil, contudo consegue ir até ao seu ponto máximo por forma a que a história faça sentido, sem nunca se deixar ir por caminhos mais tenebrosos digamos assim.

Imagem de "Coco"

O ambiente mexicano e a dimensão cultural diferente que é aqui apresentada, também pouco comum neste género cinematográfico, acrescenta também algo de irreverente e interessante, dando uma liberdade criativa que se transforma numa lufada de ar fresco para o género e que nos faz querer mais filmes assim.

Deixo aqui um destaque muito positivo para a caracterização e criação das personagens, principalmente as personagens mais idosas, porque nenhum pormenor foi esquecido e toda a equipa criativa encontra-se de parabéns.

"Coco" é sem dúvida um filme excepcional e feito com paixão de uma família para outra, com muita música e sapatos à mistura.

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26/01/2018

Casa Branca VS Jornalismo

Crítica: The Post
2017

Poster de "The Post"

Steven Spielberg ao leme de um filme é praticamente já um selo de garantia de qualidade a nível de realização, e este "The Post" não escapa a esse selo. O que mais se destaca na realização de Steven Spielberg é a forma como nos conta a história e consegue agarrar o espectador e envolvê-lo na história. Quando o filme termina sentimos que fomos parte daquela narrativa e que estávamos lado a lado com as personagens, e a partilhar os seus sentimentos.

Num ambiente cinematográfico que nos faz recuar no tempo, este "The Post" complementa o interesse social, jornalístico e político da sua história com um elenco bastante forte, com todos os actores a desempenharem bem os seus papéis, com destaque para a conceituada actriz Meryl Streep.

Imagem de "The Post"

A história deste filme não se centra apenas na redacção de um jornal, numa festa luxuosa ou na Casa Branca, mas mostra os diversos lados e perspectivas que envolvem a liberdade de expressão e a influência política nos seus variados níveis.

Trata-se de um filme que para além de ser uma peça de entretenimento, consegue também ser educativo e deixar pelo menos o público a ter uma visão mais global sobre certos assuntos sociais e políticos que a todos nós influenciam. Um filme onde o termo 'qualidade' é a palavra-chave.

Mau | Meh | Bom

16/01/2018

Um Senhor dos Anéis em Los Angeles?

Crítica: Bright

2017


Poster de "Bright"

Num filme onde entram seres humanos, elfos, ogres e varinhas mágicas, encontramo-nos onde? No Shire? Não. Hogwarts? Não, errado. Estamos em Los Angeles, claro. Este é pelo menos o ponto de partida para um ambiente cinematográfico diferente que este filme "Bright", uma produção original da Netflix, traz para o mundo do cinema.

Entrando neste ambiente diferente seguimos para dentro de uma história mais banal, com Will Smith no papel de um polícia de LA que tenta lutar com questões raciais, que aqui se pretende fazer uma relação moral com o racismo que se encontra presente na sociedade actual, contudo esse paralelismo não é bem concretizado e ao longo do filme fugimos dessa temática para um enredo mais 'pastilha elástica', o que é uma pena.

Imagem de "Bright"

Se não fosse o factor fantasia, e a novidade que esse factor cria no ambiente cinematográfico aqui criado, este "Bright" seria um mau filme, pois seria um copy paste de muitos outros filmes policiais já feitos, contudo também não consegue ir mais além porque não consegue explorar bem o lado da fantasia aqui criada, deixando muitas pontas soltas e deixando-se levar por certos clichés.

Um dos pontos mais fortes aqui é sem dúvida toda a componente técnica, desde a maquilhagem e caracterização das personagens, passando pelos cenários e efeitos especiais. Um filme de acção decente, mas que deixa no público uma pitada de "soube a pouco".

Mau | Meh | Bom

13/01/2018

Ser-se humano em três cartazes

Crítica: Três Cartazes à Beira da Estrada
2017

Poster de Três Cartazes à Beira da Estrada

Este filme é a prova de que não se pode subestimar o poder de três cartazes publicitários, com três frases escritas, numa estrada onde ninguém passa, cujo conteúdo promete abalar toda uma população. Estes 'Três Cartazes' expressam uma frustração imperativa de uma mãe que procura descobrir quem são os responsáveis pela morte da sua filha, e que promete desencadear uma série de eventos por forma a que se faça algo em relação a isso.

Não se deixem enganar aqueles que podem assumir que esta narrativa seja simplista ou pouco interessante, pois de uma linha principal aparentemente simples ligam-se outras histórias e personagens, que tornam este filme numa obra complexa e muito, muito interessante.

Imagem de Três Cartazes à Beira da Estrada

Aqui todos os diálogos, todas as interpretações, todos os planos, etc., estão muito bem concretizados, dando espaço e tempo para momentos em que nos apetece rir e logo a seguir suster a respiração ou ficarmos de boca aberta, literalmente. O facto de que não existe apenas uma mensagem que o filme pretende transmitir, mas diversas, faz com que a sua complexidade seja maior, contudo o seu desenrolar encontra-se interligado extremamente bem, criando um impacto forte no público.

E esse impacto não é a magia do cinema. Esse impacto é o que traz a magia para o cinema, e permite-nos aprender, assimilar ideias e divertir ao mesmo tempo. Um filme para ver e rever.

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10/01/2018

As lutas na galáxia continuam...

Crítica: Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi

2017


Poster de Os Últimos Jedi

As guerras das estrelas, a luta entre o Bem e o Mal e todas as histórias numa galáxia bem distante continuam bem vivas e de boa saúde, e não parece que vão acabar tão cedo. Hoje em dia já são poucas as pessoas que possam desconhecer por completo as palavras Star Wars, Disney ou Darth Vader, e aqui como nestes "Últimos Jedi", não há tempo para explicar todo este universo desde o início, portanto vamos saltar essa parte.

Tecnicamente este filme cumpre como deveria cumprir, enchendo os olhos dos espectadores com planos fortes e efeitos especiais trabalhados ao detalhe, e a nível da sua narrativa também, cumprindo com uma coesão a nível das duas histórias principais aqui exploradas, dando espaço suficiente para que o guião possa transitar entre uma e outra sem que se perca o foco principal do filme.

Mas para além disso, que há mais a acrescentar a estes 'Últimos Jedi'? Para os fãs desta saga o filme cumpre em todas as medidas, respondendo a várias perguntas anteriores e deixando outras em aberto para dar continuidade nos filmes que se seguirão. Contudo não deixa um impacto extraordinário no mundo do cinema, ou mesmo na saga Star Wars, dando apenas mais um passo neste universo já tão extenso.

Imagem de Os Últimos Jedi

Sendo assim, esta adição ao cinema de Star Wars é razoável e enche os olhos a todos, deixando os seus fãs felizes e ansiosos por mais. O que se destaca principalmente é, sem dúvida, os efeitos especiais e sonoros, que nos deixam com vontade de viver naquela realidade, numa galáxia assim, numa vida assim, e isso é a magia do cinema, a possibilidade de nos puxar para um mundo diferente durante um filme.

Um filme para miúdos e graúdos, bastante familiar, com momentos cómicos e outros mais sérios, com uma boa mensagem a transmitir, e construindo essa narrativa de forma coesa.

Mau | Meh | Bom

04/01/2018

E a vida roda e roda...

Crítica: Roda Gigante

2017


Poster de Roda Gigante

O escritor e realizador Woody Allen representa por si só uma marca no mundo da sétima arte, e um estilo próprio de fazer cinema. Esta Roda Gigante enquadra-se no estilo de Allen, mas faz apenas isso, ou seja, não consegue ir além da sua narrativa, bem trabalhada, para nos dar um filme marcante, ficando-se pelo meio de uma filmografia extensa e com muito melhores obras que esta Roda Gigante.

O filme centra-se na personagem interpretada por Kate Winslet, e nos seus conflitos emocionais, que se transformam em algo muito linear e previsível, faltando aqui uma maior diversidade de emoções ou abordagens. Nota-se aqui uma grande parecença com o filme Blue Jasmine, no foco que dá a uma personagem feminina principal e na sua transformação emocional, sendo que em Blue Jasmine a exploração dessa narrativa está mais interessante.

Imagem de Roda Gigante

A actriz Kate Winslet toma rédeas às emoções desta personagem, mas sinto que poderia ter tido uma performance mais convincente e mais marcada pelo conflito, do que propriamente pelo atenuar de emoções que praticamente sabemos desde que as personagens são introduzidas no filme.

O ponto forte vai certamente para o argumento, apesar de este poder ter sido mais ambicioso, mas que não se deixa levar por comuns clichés, não fosse este um filme escrito por Woody Allen. No departamento técnico nota-se uma posição forte em relação ao estilo de imagem, luzes e cores carregadas, que sinto ter sido um estilo utilizado em demasia, apesar de se entender o seu propósito.

Mau | Meh | Bom

02/01/2018

Aliens e Punk unidos

Crítica: How to Talk to Girls at Parties

2017


Poster de How to Talk to Girls at Parties

Pode-se dizer que o mais recente filme do realizador John Cameron Mitchell, estreado na passada edição do Leffest, tem um título invulgar, e se for traduzido à letra será algo como "Como Falar com Raparigas em Festas". Curioso? Sim, e invulgar.

Mas a palavra 'invulgar' é um adjectivo comum no mundo que este realizador traz por norma ao cinema. Com base numa história de Neil Gaiman, este filme consegue juntar punk, aliens, amor e roupas bizarras, e consegue com toda esta mistura criar algo interessante e único, com o qual nos conseguimos relacionar. Aqui não se pode aplicar a frase "ah este filme fez-me lembrar o filme tal".

Imagem de How to Talk to Girls at Parties

Se pensamos que vamos preparados para o que iremos ver neste filme, então estamos enganados, mas isso não significa que o filme ou a sua história sejam maus, pelo contrário. Aliás, a história em si até consegue ser em parte cliché e banal, naquilo que pretende transmitir como mensagem ou moral ao espectador, mas é a forma como é transmitida que faz a diferença.

Não consigo aqui destacar um ou outro pontos mais fortes ou fracos que este filme possa ter, talvez com excepção do design técnico que está de parabéns. Todo o elenco vai bem, a realização cumpre e os cenários estão todos bem enquadrados naquilo que se pretende em cada ambiente criado. Este é um caso que ou se gosta ou se odeia, e no meu caso gostei, e muito.

Mau | Meh | Bom

18/10/2017

Um boneco pouco interessante

Crítica: O Boneco de Neve

2017


Poster de "O Boneco de Neve"

Nos filmes do género policial/thriller é normal, e razoável, colocar o público a pensar nas respostas para a trama que é apresentada, e dessa forma captar a sua atenção e o seu interesse, sendo que se conseguir espantar o espectador mais perto do final do filme e da resolução de toda a história envolvente, então é um filme bem conseguido.

Esse não é o caso deste "Boneco de Neve". A culpa nem é do boneco propriamente falando (sim, existe um boneco de neve meio aterrador ao longo do filme), pois esse até cumpre bem o seu papel. A história à volta dele é que não é das melhores.

Quando a meio de um filme policial já se suspeita sobre quem é o assassino, e depois essa suspeita vem a confirmar-se, então não ficamos deslumbrados com o mesmo.

Imagem de "O Boneco de Neve"

Este "Boneco de Neve" tenta ser maior do que realmente é, e não consegue deslumbrar pela sua narrativa, nem também pela componente técnica ou mesmo do elenco (este último que penso ter sido mal aproveitado). Trata-se de uma 'imitação' fraca do ambiente e estilo vividos nos filmes da saga Millennium por exemplo, e a sua narrativa é mais específica e não tão abrangente socialmente.

Em todo o caso estamos perante um filme decente dentro do seu género, mas que não acrescenta nada de novo como filme e, sem ter lido o livro em que se baseia, acredito que a história em livro deverá ser muito mais rica. Ficamos aqui com um típico filme de 'domingo à tarde'.

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12/09/2017

Afinal o Diabo é um palhaço

Crítica: It

2017


Poster do filme "It"

Com uma adaptação de um romance do conceituado Stephen King, esta 'coisa' (It) era certamente um dos filmes de terror mais esperados deste ano de 2017. Valeu muito a pena a espera? Sim, mas não assim tanto.

É certamente um filme bem construído e trabalhado, onde se vê a dedicação e o cuidado da realização aos detalhes, e os momentos mais impressionantes ao longo do filme conseguem ser aterradores, contudo a narrativa por vezes perde-se em histórias paralelas que são pouco interessantes, e que são depois 'esquecidas' ao longo do filme, não funcionando aqui. Talvez esta seja uma estratégia narrativa, pois no final do filme aparece a indicação de "It: Capítulo Um", mas se assim o for existem mesmo certos momentos narrativos que não funcionam só com este filme.

Imagem do filme "It"

O maior destaque positivo deste "It" é sem dúvida toda a caracterização e o trabalho do actor Bill Skarsgard, ao dar vida a um dos mais aterrorizantes palhaços que eu já vi no grande ecrã, e julgo que o filme precisava de ter dado mais tempo de cena a esta personagem.

Ao contrário de outros filmes de terror, aqui temos uma maior presença de momentos cómicos, que poderiam ter sido menores, pois retira algum do suspense e medo que o público possa sentir, em alguns momentos-chave da trama.

No geral "It" é um filme competente, sendo que dentro do seu género é um filme superior à maioria dos que estreiam recentemente.

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07/07/2017

Marés Mortas

Crítica: Baywatch - Marés Vivas

2017


Poster de "Baywatch - Marés Vivas"

"Baywatch" não deveria ter sido remexido desta forma. A adaptação ao cinema de "Marés Vivas" não deveria ser realizada assim. Nem assim, nem possivelmente de outra forma. Estamos perante um filme que é um sério candidato ao estatuto de pior filme de 2017.

Sinceramente não entendo o que se passou aqui, se algum fenómeno super-natural se sucedeu durante a escrita do guião, ou no decorrer das filmagens, ou mesmo na montagem final, porque não se consegue aproveitar nada de minimamente bem concretizado neste "Baywatch - Marés Vivas". Esperava-se qualquer coisa com pelo menos algum cuidado no seu planeamento, tendo em conta o sucesso que a série teve.

Imagem de "Baywatch - Marés Vivas"

Desaconselho mesmo a ida ao cinema para este filme, pois é uma pena o dinheiro aqui gasto. Nem os actores com nome mais sonante, que interpretam as principais personagens, conseguem trazer algo de benéfico durante todo o filme, sendo que a sua história encontra-se mal estruturada, super previsível, enfim, uma confusão geral.

Até os cameos foram mal aproveitados, e não conseguiram trazer qualquer tipo de nostalgia que o filme poderia ter aproveitado.

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19/06/2017

Pequeno e medíocre bébé

Crítica: The Boss Baby

2017


Poster de "The Boss Baby"

Um patrão disciplinar num corpo de bébé, num filme de animação. O potencial em "The Boss Baby" estava lá, mas a sua concretização é fraca.

Tirando uma ou outra parte em que o toque de comédia chega a tirar-nos uma gargalhada ou outra, não resta muito mais nesta animação hollywoodesca, nem como um filme em si ou como um filme do género animação, estando sempre no limiar entre um filme mais descontraído e um filme com uma mensagem mais profunda, não resultando nem para um lado nem para o outro.

Imagem/Still de "The Boss Baby"

Este é um filme de animação pouco familiar, onde apenas as crianças serão o público que achará mais piada, mas que também facilmente se irão esquecer, enquanto que o público adulto entenderá algumas referências, mas estas são poucas para servirem um filme mais cómico.

"The Boss Baby" é mais um filme onde o foco é o seu marketing, e que tem como objectivo principal o lucro nas bilheteiras, muito aqui à custa da 'fofura' que os bébés têm. Ah, e cachorros também.

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14/06/2017

Há múmias que não deviam ter renascido...

Crítica: A Múmia

2017


Poster de "A Múmia"

Sabem quando uma pessoa deixa uma sala de cinema e minutos depois tem a sensação de que nada se passou em especial? Pois, temos essa mesma sensação quando se vai ver um filme como esta 'Múmia' ao cinema. E se existem filmes e histórias que não deveriam voltar a renascer das cinzas, então está claro que este é um desses casos.

Tudo neste filme é cliché, e até mesmo a esse nível deixa-se levar pelo mais óbvio, e não consegue ter uma ou outra cena que ressalte e seja minimamente diferente, cumprindo assim todos os estereótipos dos filmes de aventura ao estilo hollywoodesco. E como este é um remake de uma história que já passou pelo cinema, era escusado ter passado por este tratamento, mesmo que o fosse para apresentar esta narrativa ao público mais jovem, pois mesmo nesse caso não consegue cumprir, pois julgo que os mais novos irão gostar mais dos filmes anteriores.

Sofia Boutella e Tom Cruise numa imagem de "A Múmia"

Nem os nomes de Tom Cruise ou Russell Crowe conseguem dar algum valor extra a esta 'múmia', sendo que do elenco, apenas o papel principal é tratado com algum dinamismo através da actriz Sofia Boutella e a sua 'múmia'.

Este é um filme desnecessário, e que não acrescenta nada de positivo, pelo contrário, ao mundo fantástico e de monstros super-naturais, que desde há muitos anos têm assolado as salas de cinema por esse mundo fora.

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06/06/2017

Mulher, Filha, Amazona e Heroína

Crítica: Mulher-Maravilha

2017


Poster de "Mulher-Maravilha"

O universo das bandas-desenhadas de super-heróis não costuma ter uma heroína como a sua figura central. No entanto, com esta adaptação ao cinema de "Mulher-Maravilha", pode ser que essa realidade se altere.

Estamos aqui perante um típico filme de super-heróis, com um herói principal que tenta salvar o mundo de um vilão, que por norma pretende acabar com a humanidade ou controlá-la. Tudo isto, todos estes clichés, fazem parte deste filme, mas têm em si uma abordagem diferente, onde toda a sua acção e narrativa têm uma visão feminina por trás do seu leme, seja pelo facto óbvio de o herói principal ser uma mulher, como também pelo facto de a realização desta "Mulher-Maravilha" estar a cargo de uma mulher, Patty Jenkins.

Imagem de "Mulher-Maravilha"

Para os que gostam deste género de filmes, irão certamente apreciar esta adição ao género, que tem a sua estrutura bem definida e criada, com um bom elenco que suporta todo o filme, assim como sequências de acção interessantes. E não pensem que possa pecar por tentar ser um filme feminista ou anti-machista, porque não falha a esse nível, e consegue agradar a todas as faixas etárias, independentemente do sexo.

Esta "Mulher-Maravilha" não reinventa o género de filmes em que se enquadra, mas triunfa na sua aposta em ter uma heroína no principal papel, e isso poderá ter impacto no futuro destes filmes.

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16/05/2017

Terror racista ou racismo no terror?

Crítica: Foge

2017


Poster do filme "Foge"

O filme "Foge" é um thriller de terror muito específico pois, para além de uma premissa fantasiosa que é comum neste género cinematográfico, tem também uma narrativa social com base no racismo, puro e duro, que se vive ainda em todo o mundo, mas em especial nos EUA, não fosse este um filme de terror tipicamente americano (e americanizado).

Apesar de que os estúdios que fizeram este "Foge" tenham sido os mesmos que nos trouxeram "A Visita" ou a saga "Insidious", não conseguiram aqui ter o impacto esperado, apoiando-se num factor quase novo dentro deste género, neste caso o racismo, para criar alguma novidade, mas essa novidade não se sustenta, e perde-se numa área banal, do típico filme de terror que utiliza personagens encurraladas para se aproveitar delas e revelar as suas intenções no último acto.

Imagem do filme "Foge"

Em contrapartida, e como os aspectos mais positivos deste filme temos: o elenco, que se destaca e apresenta boas prestações, tentando fugir um pouco aos muitos clichés que o guião apresenta; a componente técnica, que está aqui bem realizada, em especial a fotografia e os efeitos especiais, conseguindo criar uma boa atmosfera ao longo de todo o filme.

"Foge" não é uma grande novidade dentro do género de terror, transformando-se simplesmente em apenas mais um filme de terror banal. Respondendo à pergunta colocada no título desta crítica: nem uma coisa, nem outra.

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