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13/12/2018

Um Transformer sem Michael Bay

Crítica: Bumblebee

2018



Para quem já se encontra familiarizado com a saga "Transformers", o nome Bumblebee diz-lhe qualquer coisa, mas o contrário já não. Bom, este Bumblebee é um dos transformers que ficou mais conhecido da saga, tendo ganho o direito a ter o seu próprio filme e talvez a sua própria saga (que os estúdios agradeciam com certeza).

E como seria de esperar, se este Bumblebee é um robô transformer, então vão existir muitas sequências de acção com metal contra metal, explosões, mísseis e muito barulho à mistura. Há isto tudo, mas não em demasia. Aqui o realizador não é Michael Bay. Mas apesar da tentativa clara de se afastar das explosões em demasia, este Bumblebee não consegue deixar de se entregar aos mais variados clichés hollywoodescos.

Imagem de "Bumblebee"

Pode-se dizer até que a personagem principal não é Bumblebee mas sim Charlie Watson, a companheira e 'dona' deste robô muito sentimental, interpretada por Hailee Steinfeld. A componente técnica aqui consegue sobressair pela positiva, mas a componente humana nem por isso, sendo que todo o elenco cumpre o seu papel de forma muito banal, sem algum momento que se possa destacar. O argumento previsível e demasiado americanizado também não ajuda obviamente.

Bumblebee cumpre o objectivo de entreter o público e de, possivelmente, trazer muitos lucros para os seus estúdios, mas não mais do que isso.

Mau | Meh | Bom

26/11/2018

Um filme esmagador

Crítica: Cafarnaum

2018



Este é, sem dúvida alguma para mim, um dos melhores filmes dos últimos anos e, infelizmente, um dos filmes mais tristes e realistas, em que o ser humano deveria envergonhar-se somente pelo facto de este filme existir. Deveríamos todos viver num mundo onde histórias como esta nem passariam pela cabeça de ninguém que pudessem existir.

Eu próprio gostaria de não ter de escrever sobre um filme como este, mas a verdade é que filmes como este existem e são necessários, mesmo que choquem e deixem o público constrangido. A realidade é em parte feia e tem coisas horríveis.

Mas o que sobressai nesta narrativa não é somente todo o ambiente sujo e a desgraça de certas famílias e populações, mas sim a inteligência e instinto de sobrevivência de uma criança que tem uma garra e força incríveis, para além de uma coragem assombrosa que toca qualquer pessoa. Conseguimos perceber isso quando vemos essa mesma criança a processar os seus próprios pais porque estes não a deviam ter tido, isso mesmo. Porque não tinham as condições para a criar.

Imagem do filme "Cafarnaum"

Aplaudo também toda a equipa por trás deste filme, com destaque a todos, desde a realização, à fotografia, passando pela cenografia, actores, produção, enfim, nota-se que toda a equipa deu o seu melhor e conseguiu criar um ambiente e uma envolvência que são esmagadores e que mantêm-se coerentes ao longo de todo o filme.

Esta é uma obra indispensável e que merece todo e qualquer prémio e/ou menções, pois num mundo onde a maioria dos filmes que chegam às salas de cinema não conseguem trazer realidade humana para o ecrã, ou têm muito pouca, Cafarnaum destaca-se a milhas.

Mau | Meh | Bom

07/11/2018

Um artista único

Crítica: Bohemian Rhapsody

2018



Já é do conhecimento comum que quando um artista chega a um nível elevado de fama e reconhecimento a nível mundial, como é o caso dos Queen e de Freddie Mercury, é inevitável haverem mil e uma teorias sobre as suas vidas pessoais, histórias contadas e recontadas de diversas formas e feitios, contudo uma coisa é sempre certa e transversal: o seu talento.

Neste filme conseguimos ter uma percepção geral sobre a vida e carreira de Freddie Mercury, de uma forma muito 'politicamente correcta', contudo é um filme que tenta apenas apresentar os pontos principais e relevantes, nunca indo a certos pormenores ou períodos específicos, e ao tentar apresentar uma visão geral consegue fazê-lo e apresenta ao público um filme interessante.

Rami Malek numa cena de "Bohemian Rhapsody"

Já seria também de esperar que todo o filme recaia em muito na personagem principal e na performance do actor Rami Malek (da série "Mr. Robot"). Isso é verdade, e o actor está mais que à altura deste desafio, e tem aqui uma actuação muito bem trabalhada e está de parabéns. Não me espantaria nada que daqui saia uma nomeação para Melhor Actor na próxima cerimónia dos Óscares.

No final das contas temos um filme biográfico que consegue entreter e mostrar de forma pouco pretensiosa como funciona uma parte dos bastidores do mundo da música e da fama, situações às quais a maioria das pessoas não se encontra exposta e provavelmente nunca estará. Um filme interessante que não se destina apenas aos fãs de Queen.

Mau | Meh | Bom

16/10/2018

Assim nasce uma boa adaptação

Crítica: Assim Nasce Uma Estrela

2018



Para os mais desprevenidos fica desde já a nota: este não é o primeiro filme a dar luz a 'estrelas', e suspeito que não será também o último. "Assim Nasce Uma Estrela" relata uma história que já foi anteriormente adaptada ao grande ecrã, mas que continua a ser readaptada e recontada, atravessando gerações e sempre com um toque diferente ou novo, mantendo sempre um impacto cultural, e isso é de louvar. Esta é uma boa forma de se distinguir as histórias realmente humanas (e que nos marcam) daquelas que caem no esquecimento com o passar dos anos.

Num misto de musical, romance e drama, conseguimos aqui assistir à ascensão de uma estrela que começa a brilhar, e a queda de uma estrela que já teve o seu tempo para brilhar. Talvez seja essa diferença entre as duas personagens principais desta história que continua a ser um elo de ligação forte ao público das mais diversas origens e idades.

Bradley Cooper e Lady Gaga em "Assim Nasce Uma Estrela"

Os elementos principais desta adaptação estão bem conjugados e cada um consegue dar ao filme aquilo que ele precisa, desde o elenco, com maior destaque claro para Bradley Cooper e Lady Gaga, passando pela música em si, as sequências musicais, a fotografia, até ao movimento das câmeras e dos planos apresentados.

Claro que existem aqui partes que 'gritam' a palavra cliché, mas isso já seria de esperar, e também não haveria muita forma de contornar isso. Mas o facto de que cada elemento, que contribuiu para este filme, ter feito um bom trabalho, faz com que o espectador consiga ultrapassar essas falhas e ter uma experiência positiva.

Mau | Meh | Bom

11/10/2018

A Outra e os Outros, e as Outras...

Crítica: A Outra...

2018



Em qualquer comédia romântica tem de existir pelo menos um casal, um drama importante entre eles, e também um reencontro emocionante. Sem isto não é possível este género existir, e este filme é "outra" prova viva que este género continua a existir, com todos os clichés a que nos habituámos, e ainda mais.

Aqui o foco não está apenas num único casal mas, admirem-se, em dois casais que se encontram em situações semelhantes (ou será que não?), contudo as situações cómicas que se geram através deste argumento conseguem compensar no final, e muito se deve à forma como a história é contada, entre sonhos e avanços no tempo, que por vezes nem nos damos conta e isso consegue surpreender de forma positiva o público.

Imagem do filme "A Outra..."

A actuação de todo o elenco (praticamente apenas quatro actores), é boa e eficaz nos momentos chave do filme, contudo todo o esforço aqui apresentado não consegue mesmo assim evitar cair em diversos clichés cinematográficos, e especificamente deste género. Contudo é sempre positivo haver um filme hoje em dia que tenta fugir a algumas regras já banalizadas, e que consegue ainda, sem ser de forma forçada, arrancar gargalhadas e fazer-nos sorrir.

Mau | Meh | Bom

05/09/2018

Desconstruir o mau do bom racismo?

Crítica: BlacKkKlansman - O Infiltrado

2018



O que raio interessa a cor da pele, as crenças de cada um, os gostos e estilos que cada pessoa tem, para o bem da humanidade e para a evolução do ser humano? Racionalmente... nada, mesmo nada de nada. No entanto na prática é tudo muito diferente, e a realidade é muito mais negra e triste do que aquilo em que por vezes queremos acreditar, e este filme, "BlacKkKlansman", mostra-nos isso de uma forma muito justa e clara. Tão forte e 'in your face', que nos faz rir e emocionar sobre o mesmo tema, e por vezes acharmos que uma situação é ridícula, no entanto situações como as que vimos  aqui existem na nossa sociedade, e mais vezes do que pensamos.

O realizador Spike Lee consegue criar uma obra que não pretende mostrar uma balança desequilibrada no que toca ao tema do racismo e outros, e mostra ao público os dois lados da moeda, os dois pesos de forma equilibrada e justa, deixando que seja o espectador a julgar por si mesmo e a não ser empurrado para uma opinião já pré-concebida ou criada. Isto é algo muito arriscado de se fazer num filme, no entanto foi conseguido aqui, e por isso Spike Lee está de parabéns.

Imagem de "BlacKkKlansman - O Infiltrado"

Por muito que se julgue que se pertence ao 'lado bom' da balança, se nesse 'lado' existirem sentimentos de ódio contra outras pessoas, então é porque esse 'lado bom' não é com certeza o melhor, mas essa discussão envolve muitos outros factores e situações específicas, sendo que este filme deixa-nos a pensar nisso no mínimo.

Gostaria de deixar aqui um destaque para a prestação do actor Adam Driver, que num papel que não parece ser muito exigente, consegue criar uma actuação forte e certeira para a sua personagem. Este é sem dúvida um filme forte e que nos dá um 'soco no estômago', mas que aconselho vivamente a todos, e que sirva não só para entreter como também para sensibilizar as pessoas de um modo geral. É um dos filmes do ano e um dos melhores de Spike Lee.

Mau | Meh | Bom

09/07/2018

Um hotel muito peculiar

Crítica: Artemis - Hotel de Bandidos

2018



No futuro, e mesmo nos dias de hoje, é natural que a evolução da tecnologia e dos sistemas seja parte integrante do mundo da criminalidade, e que existam coisas para as quais ainda não estamos preparados. Não é de espantar que numa sociedade onde as app's e os air bnb's estão em constante crescimento, que hajam também soluções deste tipo para o (sub)mundo, onde o crime é rei e senhor.

Esta é a ideia que este "Artemis - Hotel de Bandidos" tenta explorar aqui, e que julgo, se não me falha a memória, ter sido um tema já explorado num outro filme ou livro. Contudo, esta temática poderia ter sido desenvolvida e aproveitada de melhor forma, quer a nível do desenvolvimento das personagens, quer a nível da estrutura do guião no seu geral.

Imagem de "Artemis - Hotel de Bandidos"

Este filme representa em si tudo aquilo que poderemos considerar de pior na indústria cinematográfica de Hollywood, que consegue sempre tentar glorificar e ampliar uma temática (que poderá até ter uma premissa interessante), mas nunca tendo em atenção as ligações emocionais entre as personagens, e tendo sempre uma maior preocupação naquilo que é acessório e somente visual, o que é uma pena.

Daqui retira-se de positivo a ideia que está na base desta história, e também uma interpretação interessante da actriz Jodie Foster, que consegue no meio disto tudo ainda ter algum impacto e interesse com a sua personagem.

Mau | Meh | Bom

29/06/2018

Somos Todos Cartoons Sociais

Crítica: Não Te Preocupes, Não Irá Longe a Pé

(2018)



O realizador Gus Van Sant, conhecido por filmes como "Disposta a Tudo", "Elephant" ou "Milk", está de volta com um filme que consegue conjugar de uma forma muito interessante os vícios humanos, tanto física como psicologicamente.

Mesmo o título remete-nos para uma metáfora cómica que se aplica ao longo do filme, no entanto os momentos mais cómicos, e que conseguem fazer o público rir, não são propriamente situações meramente cómicas, tendo sempre um subtexto dramático intrínseco, e isso torna este filme ainda mais interessante.

O tom aqui utilizado faz com que o espectador nunca fique totalmente confortável com as situações apresentadas, não sabendo se há-de rir ou chorar, ou outra coisa qualquer, e esse estado de incerteza é um dos seus pontos mais fortes.

Imagem do filme "Não Te Preocupes, Não Irá Longe a Pé"

Todo o elenco está de parabéns, mas tenho de destacar o trabalho apresentado pelos actores Joaquin Phoenix e Jonah Hill (ambos já com mais do que uma nomeação aos Óscares nas suas carreiras, até agora), que aqui conseguem demonstrar todo o seu talento e com interpretações que vão até aos mais pequenos pormenores, e isso faz com que o público consiga ligar-se ainda mais à narrativa.

Este é daqueles filmes que não serve apenas para entreter, pois consegue também educar e servir de 'lição' social, fazendo-nos pensar sobre as nossas acções e as suas implicações e consequências, não invalidando o papel que a aleatoriedade desempenha nas vidas de cada um de nós.

Mau | Meh | Bom

31/05/2018

Ilha dos Cães ou Prisão Canina?

Crítica: Ilha dos Cães

2018


Poster de "Ilha dos Cães"

Não existem muitos realizadores ou realizadoras que conseguem ter um estilo muito próprio e demarcado do restante universo cinematográfico, mas Wes Anderson é sem dúvida um deles, e esta sua "Ilha dos Cães" é mais uma obra que segue a sua linha muito única de contar e mostrar uma história, e é também sem dúvida uma boa adição à sua filmografia.

Para quem já conhece o histórico deste realizador não vai ficar espantado com esta narrativa nem com este estilo de animação, uma vez que já não é a primeira vez (e não deverá ser a última) que Wes Anderson realiza um filme animado com recurso a 'puppets', ou que utiliza esta técnica em outros filmes.

Imagem de "Ilha dos Cães"

São diversas as analogias que a história explorada nesta "Ilha dos Cães" traz à baila, e que são intemporais, mas que se enquadram também bastante bem na situação actual das sociedades mais modernas. Talvez falte aqui um pouco mais de dinâmica ou de ambição na apresentação de certas temáticas, contudo não deixa de ser algo com que nos conseguimos identificar ou inserir.

Estamos perante um bom filme ao estilo de Anderson, e para quem não conhece este realizador, ou a sua obra, tem aqui uma boa porta de entrada para o seu mundo cinematográfico que consegue ser tão fascinante.

Mau | Meh | Bom

27/05/2018

Boas sequelas? Sim, existem!

Crítica: Deadpool 2

2018


Poster de "Deadpool 2"

As sequelas são normalmente filmes ora muito desejados ora muito odiados, pois o público quer bastante ver a continuação da história anterior mas cria também expectativas elevadas e caso essas mesmas expectativas não sejam satisfeitas então temos um problema. Mas não é isso que se passa aqui.

No caso de Deadpool 2 as expectativas são satisfeitas e atrevo-me até a dizer que são superadas, sendo que este filme consegue ser ainda mais atrevido que o primeiro e isso surpreende o público, mesmo para uma pessoa que já sabe ao que vai, e isso não é comum de se ver numa sequela. É caso para dizermos: que venha o terceiro.

Imagem de "Deadpool 2"

Com personagens secundárias que já conhecíamos anteriormente, mas também com novas caras à mistura, passamos a conhecer um pouco mais sobre o mundo que rodeia Deadpool e uma faceta mais séria desta personagem, mas onde não faltam os momentos cómicos e outros tantos WTF (What The Fuck?), sendo que o risco é maior mas compensa. Estamos perante um Deadpool mais adulto? Nem tanto assim, como seria de esperar.

A estrutura aqui utilizada é similar à utilizada no primeiro filme, e isso faz bastante sentido, por forma a não desvirtuar o estilo do primeiro filme, mas em algumas partes sentimos alguma previsibilidade nesta continuação, mas nada que se sobreponha às novidades que são aqui apresentadas. Para quem é fã do primeiro filme (como eu), não vai ficar desapontado com esta sequela.

Mau | Meh | Bom

20/05/2018

Um soldado como poucos

Crítica: Soldado Milhões

2018


Poster de "Soldado Milhões"

Um pedaço da história portuguesa durante a Primeira Guerra Mundial é retratado neste "Soldado Milhões", um filme que consegue representar de forma bastante realista uma época e uma sociedade portuguesa, e concretiza tudo isso através de uma estética e imagem com bastante qualidade técnica, servindo este filme quase como que uma prova daquilo que o cinema português é capaz de produzir nos dias de hoje.

A narrativa aqui apresentada encontra-se dividida em duas partes e duas épocas, num jogo narrativo que vai saltando de uma história para a outra de forma sucessiva, e que já vimos em tantos outros filmes, contudo sentimos que aqui esta opção narrativa talvez não tenha sido a melhor, pois uma das narrativas sobrepõe-se à outra e vê-se que a balança não fica aqui equilibrada.

Imagem de "Soldado Milhões"

Como a parte do argumento não consegue ser tão ambiciosa como algumas cenas e sequências mais bélicas que assistimos ao longo do filme, fica-se com um sentimento misto e com um pouco de pena que esta história não tenha sido contada de forma mais entusiasmante, pois toda a componente técnica e todo o elenco estão de parabéns pelo trabalho realizado, mas é difícil de nos desprendermos do guião.

Porém, este tipo de filmes portugueses devem de ser financiados e motivados a serem realizados e a contarem histórias portuguesas como esta e que possam de forma mais massiva levar o público português a ir às salas de cinema ver cinema falado e realizado em português.

Mau | Meh | Bom

04/05/2018

Silêncio que se vai ver um filme...

Crítica: Um Lugar Silencioso
2018


O género cinematográfico mais mainstream ligado ao suspense e terror, tem mostrado nos últimos tempos que consegue ainda surpreender o público, principalmente quando traz uma temática nova ou uma abordagem diferente. Veja-se por exemplo o caso do filme "Foge" (Get Out), que sendo um filme dentro deste mesmo género conseguiu ser um sucesso a nível de bilheteira e junto da crítica mundial, tendo inclusivamente arrecadado 4 nomeações aos Óscares e ganho uma estatueta (Melhor Argumento Original).

Este "Lugar Silencioso" segue em boa parte a fórmula utilizada no filme "Foge", mas de uma forma menos pretensiosa e mais interessante, a meu ver. Aqui o componente 'medo' é construído com o tempo certo, agarrando o espectador na história principal, e não envolvendo outras narrativas paralelas que pudessem servir de distracção.

Outro atractivo que encontramos aqui é a forma como é utilizado o som e a banda-sonora, sendo que o factor auditivo é um dos mais importantes para criar tensão nos filmes deste género, e neste filme o papel do som ganha ainda mais força e destaque, pois o ruído e o barulho é em si aquilo que representa o perigo e o receio neste "Lugar Silencioso".

Imagem de "Um Lugar Silencioso"

Através de uma narrativa simples e eficaz, este filme tem todos os ingredientes que o género pede, e consegue fazer uma receita interessante e deixar a sua marca dentro do seu estilo, numa lógica de presa / predador que também não é por vezes bem explorada em outros filmes recentes.

Aconselho este 'Lugar Silencioso' ao público mais destemido e que tenha também vontade de fazer aquele tipo de perguntas após um filme destes: e se fosse eu, o que faria naquele lugar?

Mau | Meh | Bom

02/04/2018

Spielberg a provocar nerdgasms?

Crítica: Ready Player One - Jogador 1

2018



Este é um filme para um público muito específico, sejamos "realistas". Pode-se dizer que aqueles que não estão muito virados para o mundo dos videojogos e da cultura do gaming, não vão achar grande piada a este "Jogador 1", a não ser pelos efeitos especiais, e muito possivelmente não vão entender muitas referências, ou até mesmo a mensagem principal que este "Ready Player One" pretende transmitir.

Numa linha narrativa à la Steven Spielberg (que dá aqui uns pequenos toques, a nível do género narrativo, a "A.I. Inteligência Artificial"), estamos perante um bom filme de ficção científica que tem muitas pontes com o mundo actual, e que detém em si uma mensagem social que está muito vincada nos dias de hoje, e nos efeitos que o gaming e a cultura do 'ecrã' e das ligações, redes sociais, etc, começam a ter na nossa sociedade.

Num mundo onde os termos 'youtuber', 'nerd', 'gaming', 'VR', etc, começam a ser normais e a ganhar força no discurso do dia-a-dia, então é também um mundo onde filmes como este fazem parte e a indústria cinematográfica começa a perceber isso.

Imagem de "Ready Player One - Jogador 1"

Com um estilo de narrativa muito juvenil e prático, a história em "Ready Player One" apresenta uma moral forte e interessante, que consegue envolver o espectador e não transformar este filme apenas numa confusão de efeitos especiais e CGI.

Vê-se que Spielberg é como um peixe dentro de água neste género de cinema, e o seu gosto por este estilo é transmitido ao público. E isso é sempre um bom sinal. Para além da história e a sua moral, um outro destaque vai certamente para os efeitos especiais bem concretizados e adequados ao estilo de imagem que se vê ao longo do filme.

Aconselho este filme a todos os 'gamers' e amantes deste género, e a todos aqueles que não estão ainda familiarizados com estes termos, porque se não estão, é altura de fazerem um 'upgrade' social.

Mau | Meh | Bom

26/03/2018

Uma Maria pouco Maria-Rapaz

Crítica: Maria Madalena

2018


Poster de "Maria Madalena"

Oh não, outro filme religioso? Pois, parece que sim. Ah, mas este traz uma perspectiva feminina e isso muda tudo, não? Pois, parece que infelizmente não. É verdade que o foco aqui é a personagem de Maria Madalena, e a sua perspectiva e papel em toda a história, mas essa história já foi mais que contada e vista, e aqui temos mais do mesmo.

As actuações e a realização cumprem aqui o seu trabalho, mas não deixam de ser peças monótonas para uma narrativa já muito divulgada, não trazendo aqui algo de diferente e desafiador, que faça com que o público fique emocionado ou deslumbrado.

Imagem de "Maria Madalena"

Tecnicamente é um filme decente, o que já seria de esperar para um filme mainstream deste tipo, no entanto destaca-se o trabalho de fotografia que consegue criar um ambiente muito próprio e coerente ao longo do filme, em que ficamos realmente deslumbrados com certas imagens e planos.

Este é um filme religioso típico, para um público religioso, mas que acredito plenamente que nem a esse público conseguirá deslumbrar ou entusiasmar, como fez o filme "A Paixão de Cristo" de Mel Gibson, por exemplo. Poderia-se ter arriscado muito mais aqui.

Mau | Meh | Bom

20/02/2018

Heróis fora de Nova Iorque? Sim, existem.

Crítica: Black Panther

2018



A lufada de ar fresco 'visual' que esta 'Pantera Negra' traz ao grande ecrã era algo que a Marvel já estava a precisar, principalmente depois de tantos filmes de super-heróis que têm como cenário a cidade de Nova Iorque, e um estilo sempre muito urbano. Mas apesar da mudança de ares que podemos assistir neste "Black Panther", ficamos aquém das suas expectativas, e com um sentimento de que se podia ter explorado mais (e melhor) todo este novo ambiente e história, que os fãs de banda-desenhada tanto ansiavam.

E devo de dizer também que não é apenas no ambiente visual que temos aqui uma mudança, mas também numa presença maior de personagens femininas com um impacto importante no desenrolar das cenas, não servindo apenas para o escape amoroso da personagem principal ou outras narrativas mais secundárias (como podemos ver na imagem abaixo).

Imagem de "Black Panther"

É bastante comum vermos aqui o nosso herói rodeado de personagens femininas fortes que têm um grande peso na narrativa, quase que diminuindo por vezes a importância dada ao super-herói principal. E isto é algo de novo no mundo dentro deste género específico de filmes, contudo é uma mudança de paradigma boa e interessante.

Quanto aos pontos mais negativos, recaio na actuação de Chadwick Boseman no papel principal, que não consegue trazer muita dinâmica à sua personagem, e sendo ele o super-herói de toda a história não consegue escapar a este impacto menos positivo. A criação da narrativa do vilão também não é algo de novo, e não tem uma presença forte para a história, e poderia ter sido mais interessante.

Um destaque muito positivo vai para o restante elenco e direcção de actores, assim como a banda-sonora refrescante e moderna, que assenta que nem uma luva em todas as cenas do filme. Saímos da sala de cinema com a vontade de querer estar em Wakanda. Pode ser que na sequela essa vontade aumente ainda mais.

Mau | Meh | Bom