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30/04/2017

Um excelente conto, e filme

Crítica: O Conto dos Contos

2015


Poster de "O Conto dos Contos"

Baseado em alguns dos contos escritos por Giambattista Basile, "O Conto dos Contos" integra na sua narrativa três histórias fantasiosas, mas que possuem um poder moral imenso, servindo como 'lições' para certas questões da sociedade e do Homem, como a ganância, a inveja, a vingança, etc.

O realizador italiano Matteo Garrone conseguiu (mais uma vez, pois vale lembrar que é o mesmo realizador de Gomorra) criar um filme que é bastante humano e ligado à sociedade e às diversas formas como a sociedade influencia, e é influenciada, pelos comportamentos das pessoas e do ambiente em que estas se inserem.
Apesar da sua dinâmica mais ficcional e fantasiosa, consegue agarrar o público e levá-lo para dentro deste ambiente, como se fizéssemos parte do mundo ali criado.

Imagem/Still de "O Conto dos Contos"

O grande destaque deste filme vai, sem dúvida, para toda a parte técnica do mesmo. Aqui estamos perante um filme que cria logo imagens icónicas, que praticamente falam por elas mesmas (como o caso da fotografia acima, retirada do filme).
Desde a sua fotografia, passando pelo guarda-roupa, direcção de arte, caracterização, efeitos especiais à banda-sonora de Alexandre Desplat, tudo em "O Conto dos Contos" está a um nível excelente, o que consegue por si só atrair o espectador para algo de novo e de diferente.

Este é um filme que serve para ver e rever, e que pode também funcionar muito bem numa perspectiva mais educacional para um público mais jovem.

Mau | Meh | Bom

20/11/2016

Uma voz inconfundível

Crítica: Amy
2015

Poster de Amy

O documentário de vida sobre a falecida cantora Amy Winehouse não é apenas um documento para registo futuro, mas sim uma boa obra cinematográfica que relata uma história real dolorosa e não se deixa desviar para outros assuntos menos relevantes.

Depois de se ver Amy, não se pode ficar indiferente à pressão que o mundo da fama causa às pessoas e a tudo aquilo que envolve a mesma, o mundo que a passa a rodear, ficamos certamente perante um mundo diferente. O círculo social já não é aquele que normalmente conhecemos. É outro qualquer. Uma plataforma social completamente à parte.

E tudo isso é exibido em Amy de uma forma cronológica, onde vamos acompanhando o crescendo dessa 'sociedade' em paralelo com a vida privada da cantora, que infelizmente morreu bastante jovem devido a problemas com álcool e drogas, mas onde o seu estatuto de celebridade pesou também bastante para a sua decadência.

Amy Winehouse

Enganam-se aqueles que poderão pensar que Amy é apenas um documentário feito para os fãs da cantora, pois não o é.

Tendo ganho o Óscar para Melhor Documentário (entre outros inúmeros prémios), trata-se de uma imagem reflectida sobre algumas questões sociais importantes dos dias de hoje e como tudo isso pode afectar uma pessoa. Neste caso essa pessoa chamava-se Amy Winehouse, uma voz inconfundível, perdida em si mesmo.

Mau | Meh | Bom

30/09/2016

Vidas em alto mar

Crítica: Exotica, Erotica, Etc.
2015


Um retrato cinematográfico sobre a vida em alto mar, os marinheiros, os portos e o amor em terra e no mar. Exotica, Erotica, Etc. é um documentário realizado em 2015 por Evangelia Kranioti, e foi o filme de abertura da 3ª Edição do Festival Olhares do Mediterrâneo, que decorre no Cinema São Jorge.

Trata-se de um filme que contempla a solidão em alto mar e a vida de marinheiros, com alguns relatos falados, mas o fio condutor deste documentário centra-se numa voz feminina de uma prostituta que conta partes da sua vida e da sua relação com os marinheiros com quem já partilhou a sua cama, o seu corpo e o seu amor.
Um olhar feminino, mas não feminista, sobre uma realidade talvez pouco conhecida de perto do grande público. Sabemos que existe, mas temos a tendência a não falar muito sobre essas temáticas. No entanto em Exotica, Erotica, Etc. somos abalroados por um mar que não tem fim e pela sua influência no que o rodeia.


Apesar de algumas sequências narrativas um pouco dispensáveis para a mensagem geral que o documentário pretende transmitir, estamos aqui perante um documentário bastante sólido que se destaca fortemente pela magnífica fotografia e planos que são exibidos (uma tarefa realizada também pela argumentista e realizadora Evangelia Kranioti), e que deveria sem dúvida chegar a um público mais alargado.

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18/09/2016

De Palma por De Palma

Crítica: De Palma
2015

Poster do filme De Palma

Em 2015 os realizadores Noah Baumbach e Jake Paltrow fizeram um documentário sobre o realizador Brian De Palma, que não passa de uma entrevista ao mesmo com inserções de planos e sequências sobre o que o realizador vai contando. Em 2016, De Palma foi apresentado em Portugal no festival MOTELx.

Imagem do documentário De Palma

Este De Palma serve para que os menos atentos à filmografia de um dos grandes realizadores contemporâneos (que assinou títulos como Carrie, Vestida para Matar, Scarface, Os Intocáveis, Missão Impossível ou A Dália Negra), possam aqui conhecer a sua história, o seu método de trabalho e algumas curiosidades sobre a indústria do cinema, e em particular, a indústria norte-americana. No entanto, para além disso, esta obra pouco mais acrescenta.

Trata-se de um documentário muito simples na sua concretização, e que não aprofunda em demasia a vida de Brian De Palma. Talvez num futuro distante se possa criar um filme que detalhe mais sobre Brian De Palma e a sua obra.

Com um registo mais televisivo e não tanto cinematográfico, é um filme competente e importante para dar a conhecer o realizador Brian De Palma.

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07/09/2016

Pouco terror na Caverna

Crítica: A Caverna (curta-metragem)
2015

Cena de A Caverna

A curta-metragem 'A Caverna' do realizador português Edgar Pêra mostra-nos um grupo de espectadores que se encontram presos numa sala de cinema (ou serão duas?). E apenas isto.

Presente na secção de competição de curtas portuguesas no festival MOTELx de 2016, este filme pouco acrescenta a si mesmo, mostrando ao público um grupo variado de pessoas que se encontram em constante euforia e dinamismo, interagindo entre si de variadas formas, e com o espaço que as rodeia, no entanto isso apenas não chega para agarrar o público a algo mais, ou a uma mensagem/estado de espírito que se pretenda passar. Fica-se logo pelo seu esquecimento.

Cena de A Caverna

Para além disso, não mostra um nível de terror ou suspense suficiente, na minha opinião, para integrar a programação de um festival dito de terror. Apenas uma nota para a boa imagem e fotografia que o filme apresenta, assim como uma boa coreografia e utilização da tecnologia 3D, que neste caso cria uma maior ligação a esta 'caverna'.

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14/08/2016

Estado Civil: Muito Complicado

A Lagosta
2015

Colin Farrell e Rachel Weisz numa imagem de "A Lagosta"

Numa realidade humana distorcida, onde casais e solteiros estão numa guerra constante (literalmente), e as pessoas podem transformarem-se em animais, existe sempre algo inquietante e atractivo, colocando diversas questões como amor, casamento, união, sexo e cumplicidade à mistura. Uma espécie de "vamos aplicar ao amor uma fórmula matemática e ver se assim resulta".

Em "A Lagosta", o escritor e realizador Yorgos Lanthimos conseguiu retratar a falsidade do amor e do que a sociedade vê e representa como "o casal perfeito" ou uma união perfeita entre dois seres humanos, de forma totalmente fantasiada que serve para ridicularizar regras socialmente impostas sobre a função do Homem e da Mulher em sociedade sozinhos ou como um casal, de tal forma que em certos momentos do filme rimo-nos desalmadamente e noutros ficamos em choque.

John C. Reilly, Colin Farrell e Ben Whishaw numa imagem de "A Lagosta"

Penso que este se trata do primeiro filme que vejo onde todas as questões que referi são tratadas de uma forma única e funcionalmente exemplar, que resulta numa boa abordagem social e filosófica, e também num bom filme que entretém e deixa qualquer pessoa a querer por uns instantes entrar naquele mundo como um espectador activo.

Uma nota em especial para a boa interpretação de Colin Farrell ao longo de todo o filme, e para a sequência final que deixa (como não poderia ser tratado de melhor forma) tudo em aberto.

Mau | Meh | Bom