29/05/2017

Um filme nada colossal

Crítica: Colossal

2016


Poster de "Colossal"

"Colossal" é aquele tipo de filme que cai na asneira de tentar ser maior do que aquilo que realmente é. E neste caso trata-se de uma comédia romântica com uma ambição gigantesca para se tornar num filme de culto, mas falha redondamente nesse objectivo, e fica-se pela sua premissa, que tinha potencial para ser realmente mais 'colossal'.

Aqui o mundo real mistura-se com o mundo da fantasia de uma forma muito directa, e sem grandes explicações, o que torna a envolvência da história em algo interessante, contudo, existe uma relação pessoal entre as duas personagens principais, que se vai alterando ao longo da duração do filme, mas que em vez de tornar a história em algo mais interessante, apenas faz o contrário, conseguindo tornar-se num acessório dispensável, que só está ali a atrapalhar.

Imagem do filme "Colossal"

Quando o espectador se apercebe do rumo que este "Colossal" toma, fica-se com a mesma expressão que as suas personagens têm na imagem acima, como que a pensar "A sério?". Nem a oscarizada Anne Hathaway consegue aqui render uma boa prestação, que pudesse melhorar a qualidade do filme.

Ficamos com a sensação de pena, pois sente-se que o potencial está aqui presente, mas é muito pouco aproveitado e posto de lado. Pode ser que sirva de inspiração para um outro filme mais coeso.

Mau | Meh | Bom

26/05/2017

FEST terá 40 países a concurso


São quarenta países de diferentes pontos do globo que, entre os dias 19 e 26 de Junho, estarão representados nas diferentes competições do FEST - Festival Novos Realizadores | Novo Cinema. A ter lugar em Espinho, a décima terceira edição olhará os nomes emergentes europeus e mundiais nas secções competitivas para longas e curtas-metragens. A abertura do evento será dada pela estreia nacional de "Tom of Finland", a longa metragem sueca que tem recolhido a atenção internacional para a vida e obra de Touko Valio Laaksone, o artista que revolucionou a arte homoerótica mundial.

Em concurso para o Lince de Ouro, a estreia de "As You Are", vencedor do prémio do Júri em Sundance; "Park", um olhar sobre a falta de rumo da Grécia contemporânea; "The Invisible Hand", crítica severa às relações de trabalho nesta era da austeridade em Espanha; "Road Movie", um dos mais controversos documentários do momento e uma janela aberta para a Rússia moderna; o retrato próximo sobre o dia-a-dia de um hospital psiquiátrico em "Icon"; a vida de um paciente com uma doença degenerativa em "The Nature of Things"; "Sacred Water" e a visão sobre a sexualidade feminina no Ruanda; o retrato de uma história de violação em "Filthy"; as rotinas urbanas e capitalistas de "8:30"; a paranóia e as lutas internas entre o bem e o mal de "Needle Boy" e o elevado preço da compaixão na sociedade chinesa de "Old Stone".

Cruzando os universos do documentário, ficção e cinema experimental, o FEST integrará ainda uma secção infanto-juvenil dedicada às famílias (FESTinha), uma competição nacional de curtas-metragens (Grande Prémio Nacional), um prémio para obras de realizadores a saírem das faculdades (NEXXT). Nas vertentes não competitivas, destaque ainda ao foco sobre o cinema iraniano e grego, através de uma selecção de 12 filmes na secção Flavours of The World. O espaço de reflexão sobre a realidade sócio-económica da Europa é também uma das tónicas de programação na secção Be Kind Rewind. Partindo da parceria com o projecto Off The Wall, chegam a Espinho três filmes que pensam a emigração, a xenofobia e a crise económica através do olhar de jovens cineastas italianos, gregos e espanhóis.

À semelhança do que tem acontecido nas anteriores edições, o FEST integrará ainda duas actividades paralelas: o Training Ground e o Pitching Forum. O primeiro, a decorrer entre workshops, masterclasses, palestras e debates orientados por peritos de topo e sucesso reconhecido. Em Espinho estarão, entre outros, Allan Starski (The Pianist, Schindler's List), Brian Muir (Star Wars, Guardians of the Galaxy), David Turner, Ed Lachman (Carol, Erin Brockovich), Eddy Joseph (Harry Potter & the Sorcerer’s Stone, Cold Mountain), Gareth Wiley ou Melissa Leo (The Fighter, Frozen River). Pelo Pitching Forum passarão mais de vinte projectos de todo o mundo que, aqui, se poderão habilitar a ganhar apoios de produção das casas europeias Goldcrest, ENVY e Halo.

Os passes gerais para o FEST 2017 já estão à venda na Bilheteira Online, lojas FNAC e locais habituais. Os ingressos apenas para o Training Ground podem ser comprados em www.fest.pt.

25/05/2017

Festa do Cinema deste ano com a melhor edição de sempre


A terceira edição da Festa do Cinema, que terminou ontem, foi a melhor de sempre, com 215 mil espectadores, mais 24% que a edição de 2016.

Nuno Sousa, em representação da APEC – Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas, considera este resultado ‘extremamente revelador do compromisso de todos os agentes da indústria na dinamização desta iniciativa, que visa promover o acto cultural da experiência cinematográfica em sala. Trata-se de uma aposta ganha e para manter na agenda cultural dos próximos anos’.

Com bilhetes a 2,50€, para todos os filmes em exibição, o formato incluiu todas as salas de cinema portuguesas, cinematecas e auditórios, durante três dias (22, 23 e 24 de Maio). A Festa do Cinema tem por objectivo promover o acesso à cultura e atrair novos públicos às salas de cinema. Este foi o terceiro ano consecutivo da iniciativa que, segundo a organização, será para ‘continuar a promover’.

A Festa do Cinema é promovida pela APEC – Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas, com o apoio do ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, FEVIP – Associação Portuguesa de Defesa das Obras Audiovisuais e GEDIPE - Associação para a Gestão Coletiva de Direitos de Autor e de Produtores Cinematográficos e Audiovisuais.

No Top 5 dos filmes mais vistos durante esta Festa estiveram: o filme português ‘Perdidos’, além de ‘Alien – Covenant’, ‘Rei Artur: A Lenda da Espada’, ‘Velocidade Furiosa 8’ e ‘Guardiões da Galáxia’.

16/05/2017

Terror racista ou racismo no terror?

Crítica: Foge

2017


Poster do filme "Foge"

O filme "Foge" é um thriller de terror muito específico pois, para além de uma premissa fantasiosa que é comum neste género cinematográfico, tem também uma narrativa social com base no racismo, puro e duro, que se vive ainda em todo o mundo, mas em especial nos EUA, não fosse este um filme de terror tipicamente americano (e americanizado).

Apesar de que os estúdios que fizeram este "Foge" tenham sido os mesmos que nos trouxeram "A Visita" ou a saga "Insidious", não conseguiram aqui ter o impacto esperado, apoiando-se num factor quase novo dentro deste género, neste caso o racismo, para criar alguma novidade, mas essa novidade não se sustenta, e perde-se numa área banal, do típico filme de terror que utiliza personagens encurraladas para se aproveitar delas e revelar as suas intenções no último acto.

Imagem do filme "Foge"

Em contrapartida, e como os aspectos mais positivos deste filme temos: o elenco, que se destaca e apresenta boas prestações, tentando fugir um pouco aos muitos clichés que o guião apresenta; a componente técnica, que está aqui bem realizada, em especial a fotografia e os efeitos especiais, conseguindo criar uma boa atmosfera ao longo de todo o filme.

"Foge" não é uma grande novidade dentro do género de terror, transformando-se simplesmente em apenas mais um filme de terror banal. Respondendo à pergunta colocada no título desta crítica: nem uma coisa, nem outra.

Mau | Meh | Bom

14/05/2017

Já são conhecidos os vencedores do IndieLisboa 2017


O realizador boliviano Kiro Russo volta a ser premiado no IndieLisboa com Viejo Calavera, que vence o Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa. O júri da competição internacional galardoou ainda Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans, com o Prémio Especial do Júri Canais TVCine & Séries. O Prémio Allianz – Ingreme para Melhor Longa Metragem Portuguesa foi entregue a Encontro Silencioso, de Miguel Clara Vasconcelos e o Prémio Ingreme para Melhor Curta Metragem Portuguesa foi atribuído a Miragem Meus Putos, de Diogo Baldaia. O Grande Prémio de Curta Metragem foi entregue a Wiezi/Close Ties, de Zofia Kowalewska.

Palmarés IndieLisboa 2017

Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa
Viejo Calavera, Kiro Russo (Bolívia, Qatar)

Prémio Especial do Júri Canais TVCine & Séries
Arábia, Affonso Uchôa, João Dumans (Brasil)

Grande Prémio de Curta Metragem
Wiesi/Close Ties, Zofia Kowalewska (Polónia)

Melhor Animação –  Curta Metragem (Patrocínio: Turismo de Macau)
489 Years, Hayoun Kwon (França)

Melhor Documentário –  Curta Metragem (Patrocínio: Turismo de Macau)
The Hollow Coin, Frank Heath (EUA)

Melhor  Ficção –  Curta Metragem (Patrocínio: Turismo de Macau)
Le film de l’été, Emmanuel Marre (França, Bélgica)

Prémio Allianz – Ingreme para Melhor Longa Metragem Portuguesa
Encontro Silencioso, Miguel Clara Vasconcelos (Portugal)

Prémio Ingreme para Melhor Curta Metragem Portuguesa
Miragem Meus Putos, Diogo Baldaia (Portugal)

Prémio Novo Talento FCSH/Nova – Curta Metragem
Flores, Jorge Jácome (Portugal)

Prémio Walla Collective para Melhor Filme da Secção Novíssimos
Os Corpos que Pensam, Catherine Boutaud (França, Portugal)

Prémio Indiemusic Schweppes
Tony Conrad: Completely in the Present, Tyler Hubby (EUA, Reino Unido)

Prémio Árvore da Vida
Ex-aequo:
Antão, o Invisível, Maya Kosa, Sérgio da Costa (Suíça, Portugal)
Num Globo de Neve, André Gil Mata (Portugal)

Prémio Amnistia Internacional
Find Fix Finish, Mila Zhluktenko, Sylvain Cruiziat (Alemanha)

Prémio Universidades
El mar la mar, Joshua Bonnetta, J.P. Sniadecki (EUA)

Prémio Escolas
Le fol espoir/Wild Hope, Audrey Bauduin (França)

Prémio do Público Longa Metragem
Venus, Lea Glob, Mette Carla Albrechtsen (Dinamarca, Noruega)

Prémio do Público Curta Metragem Crocs
Scris/Nescris, Adrian Silisteanu (Roménia)

Prémio do Público IndieJúnior Escolas DoctorGummy
Bichinhos do Lixo/Litterbugs, Peter Staney-Ward (Reino Unido)

Prémio do Público IndieJunior Famílias Trina
O Trenó/The Sled, Olesya Shchukina (Rússia)

07/05/2017

Vem aí a 2ª Edição do Arroios Film Festival


O Arroios Film Festival, sempre sob a temática da inclusão, regressa agora para uma segunda edição com várias novidades. Com realização em Setembro, agora pode contar, para além das curtas-metragens, com outras actividades paralelas e mostras ao ar livre. O Arroios Film Festival é organizado pela Junta de Freguesia de Arroios, com o apoio do Pelouro dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, da Arroios TV e outros parceiros públicos e privados.

Arroios é uma freguesia de Lisboa que se caracteriza pela sua diversidade cultural. São agora mais de 90 nacionalidades que atravessam os cinco continentes, concentradas em 52 quilómetros quadrados.
Chegar a todos, sem preconceitos, aceitando e tentando compreender as suas diferenças culturais, religiosas, políticas e as demais, é o objectivo da Junta de Freguesia de Arroios. Nem sempre se estabelece relação entre as noções de diversidade e inclusão, aliás estas parecem ser noções de universos distintos, de universos incompatíveis, contrários, opostos.

A Junta de Freguesia de Arroios tem como objectivo combater esta concepção e aproximar, se possível sobrepor, as ideias de diversidade e inclusão. Diversidade é uma mais-valia para o desenvolvimento do seu lugar desejado.

A criação do Arroios Film Festival pretende através da sétima arte alertar consciências para a problemática da inclusão. Este é um festival de curtas-metragens dirigido a todas as pessoas que fazem e se interessam por cinema. O tema é a inclusão no sentido alargado do termo: inclusão económica, social, cultural, religiosa ou outra. O Arroios Film Festival visa ser um local de encontro de culturas, de formas de estar e de reflexão sobre as várias vertentes inclusão.

As inscrições estão abertas até dia 31 de Maio.

06/05/2017

Quatro corações no estilo de Malick

Crítica: Música a Música

2017


Poster de "Música a Música"

O realizador Terrence Malick tem sempre um estilo muito próprio de realizar e montar as histórias dos seus filmes. Tome-se como exemplo o filme "A Árvore da Vida".
No seu filme mais recente, este "Música a Música", o realizador explora as relações amorosas e atribuladas entre quatro personagens principais, onde os circuitos dos festivais de música, fama, luxúria, sucesso, criatividade musical, etc, se encontram aqui como fundo e base para este jogo narrativo que interliga estas quatro personagens muito diferentes, mas muito semelhantes.

A narrativa poética e fragmentada continua a ser em Malick um elemento muito presente, transformando-se aqui na base de movimentação das personagens ao longo do espaço e na sua ligação física e psicológica.

Rooney Mara e Ryan Gosling em "Música a Música"

Um dos maiores atractivos que este filme tem a nível de interesse e de marketing é, sem dúvida, o seu elenco de luxo, que conta com nomes tão conhecidos como: Ryan Gosling, Rooney Mara, Michael Fassbender, Natalie Portman, Cate Blanchett ou Holly Hunter.
Fica assim claro que, com estes nomes, as performances ao longo do filme ficam asseguradas, o que se confirma nesta 'Música a Música'. No entanto deixo aqui uma especial atenção aos papéis mais secundários que Cate Blanchett e Holly Hunter interpretam, que em tão pouco tempo de acção conseguem marcar o público, e criam assim duas excelentes adições a esta narrativa.

Este filme não é o típico filme mainstream que fala de romance e amor, longe disso, pelo que não se enganem aqueles que o possam ir ver devido ao seu elenco ou outro factor. É preciso conhecer o estilo tão próprio de Terrence Malick, para se saber ao que se vai, e para se adorar ou detestar.

Mau | Meh | Bom